EDUCAÇÃO EM CRISE

Professores de escolas municipais de Natal paralisam atividades

Estudantes em frente a uma escola fechada, simbolizando a paralisação dos professores em Natal.
Escola Municipal 4º Centenário, no Alecrim, não teve aulas na manhã desta quinta-feira (30) — Foto: Thiago César/Inter TV Cabugi

Sinte cobra reajuste de 4,6% e aponta 60% de defasagem salarial na rede municipal. Paralisação de 24 horas afeta estudantes.

Professores da rede municipal de Natal, representados pelo Sindicato dos Trabalhadores da Educação (Sinte), iniciaram nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026, uma paralisação de 24 horas. A mobilização busca pressionar a Prefeitura por um reajuste salarial de 4,6% — diante de uma defasagem histórica que, segundo a categoria, atinge cerca de 60% — além de exigir melhores condições de infraestrutura nas escolas e a revisão do formato de convocação de aprovados em concurso público. A medida impactou milhares de estudantes, que ficaram sem aulas, evidenciando o desafio enfrentado pela educação pública da capital potiguar.

A interrupção das atividades didáticas na maioria das unidades escolares da cidade gerou transtornos para pais e responsáveis, que precisaram buscar alternativas para o cuidado e a rotina de seus filhos. A Escola Municipal 4º Centenário, no Alecrim, por exemplo, permaneceu sem aulas na manhã de hoje, refletindo o cenário em diversas outras instituições.

O Sinte, sindicato que representa a categoria, afirma que a paralisação se faz necessária pela falta de diálogo com a gestão municipal. Os profissionais da educação cobram uma audiência com o prefeito Paulinho Freire para debater a pauta de reivindicações, que inclui também questões sobre a desestruturação do magistério na capital.

"Queremos uma audiência com o prefeito Paulinho Freire, nós não tivemos reunião para debater nossa pauta com ele. Precisamos fazer essas discussões. Em Natal, vivemos uma situação de desestruturação do magistério, com 60% de perdas para os professores que já estavam na rede e uma lei que rebaixou o salário para os professores que estão chegando", declarou o coordenador do Sinte, Bruno Vital, sublinhando a urgência de respostas para as demandas dos trabalhadores.

Em contraponto, o secretário municipal de Educação, Aldo Fernandes, expressou surpresa com a mobilização. Ele afirmou que a gestão municipal mantém uma mesa permanente de negociação com a categoria, espaço que, em sua visão, é o local apropriado para discutir as reivindicações apresentadas. O secretário ressaltou que, nessa mesa, já estão em pauta temas como a lei do último concurso público, que ampliou o número de vagas em 300.

"É lá também que estamos apresentando para construir, a médio e longo prazo, possíveis reposições salariais, com prudência, construindo caminhos a quatro mãos. E onde estamos trazendo informações sobre as nossas manutenções e nossos investimentos", explicou Aldo Fernandes, reforçando o compromisso da administração com o diálogo.

O secretário ainda pontuou que a Prefeitura tem investido na infraestrutura das escolas. Segundo dados da pasta, mais de 80% das unidades já passaram por serviços de manutenção, além de ações de climatização e modernização, buscando oferecer um ambiente de trabalho e aprendizado mais adequado para a comunidade escolar.

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