CONGELADOS PRESERVAM NUTRIENTES
Professora sênior de Nutrição da Universidade de Tecnologia de Swinburne, Margaret Murray, afirma que alimentos congelados preservam nutrientes
Estudo aponta que frutas e vegetais congelados oferecem benefícios nutricionais comparáveis aos frescos e são alternativa acessível e prática para a alimentação
Frutas e vegetais congelados podem oferecer benefícios nutricionais semelhantes aos produtos frescos, representando uma alternativa prática e econômica para ampliar o consumo de alimentos saudáveis. Essa avaliação é da professora sênior de Nutrição da Universidade de Tecnologia de Swinburne, Margaret Murray. Ela destaca que os processos modernos de congelamento ajudam a preservar vitaminas, minerais, fibras e outras substâncias importantes para a saúde. A decisão de destacar essa equivalência nutricional ocorre em um cenário de aumento do custo de vida, onde famílias enfrentam dificuldades para manter o consumo regular de frutas e hortaliças frescas. Nesse contexto, produtos congelados e enlatados surgem como opções mais acessíveis, com maior tempo de conservação e menor risco de desperdício, impactando diretamente a dignidade e a capacidade de acesso a uma alimentação de qualidade para a população.
Frutas e vegetais são componentes fundamentais de uma alimentação equilibrada, fornecendo vitaminas, minerais, fibras e compostos bioativos que contribuem para o funcionamento do organismo e auxiliam na redução do risco de diversas doenças, incluindo alguns tipos de câncer. As recomendações nutricionais internacionais orientam que adultos consumam diariamente pelo menos duas porções de frutas e cinco porções de vegetais. Especialistas ressaltam que alimentos congelados e enlatados também podem contribuir significativamente para atingir essas metas.

Exemplos práticos incluem meia xícara de brócolis congelado ou meia xícara de feijão enlatado, que equivalem a uma porção de vegetais. Da mesma forma, uma xícara de pêssegos em calda ou uma xícara de manga congelada pode representar uma porção de fruta. Além da praticidade, os produtos congelados costumam apresentar preços mais baixos do que os alimentos frescos. Como geralmente chegam ao consumidor já higienizados, cortados ou preparados para o cozimento, também ajudam a reduzir o tempo gasto na preparação das refeições.
Outro benefício apontado é a maior durabilidade. Enquanto frutas e hortaliças frescas possuem prazo de consumo mais curto e podem se deteriorar rapidamente, os produtos congelados permanecem armazenados por períodos mais longos, reduzindo perdas dentro de casa e contribuindo para o aproveitamento integral dos alimentos. Segundo especialistas, frutas e vegetais congelados costumam manter grande parte do valor nutricional original. Em alguns casos, o processo pode até resultar em concentrações maiores de determinados nutrientes.
Um exemplo citado é o das frutas vermelhas congeladas. Algumas variedades podem apresentar níveis mais elevados de vitamina C quando comparadas às versões frescas disponíveis no mercado. Isso ocorre porque o congelamento reduz a degradação natural da vitamina após a colheita. O processo industrial utiliza temperaturas muito baixas para retardar a deterioração dos alimentos, preservando características como cor, textura e composição nutricional durante períodos prolongados.
Contudo, o congelamento não é totalmente isento de efeitos sobre a estrutura dos alimentos. A formação de cristais de gelo pode romper parte das células vegetais, especialmente quando ocorre descongelamento e recongelamento repetidos. Nessas situações, podem ocorrer alterações na textura e redução de alguns nutrientes. Especialistas alertam que o impacto costuma ser mais perceptível na consistência dos alimentos do que em seu valor nutricional global.
Embora os alimentos congelados apresentem boa estabilidade, é necessário observar cuidados de armazenamento e preparo. Frutas e vegetais congelados podem ser contaminados por microrganismos caso ocorram falhas na cadeia de conservação. Entre os agentes de preocupação está a bactéria Listeria monocytogenes, responsável por infecções alimentares potencialmente graves. O cozimento adequado antes do consumo reduz significativamente esse risco, especialmente no caso de vegetais congelados. Já os alimentos enlatados passam por processos de esterilização em altas temperaturas, o que permite o armazenamento por longos períodos em temperatura ambiente. No entanto, parte dos nutrientes pode ser afetada pelo calor utilizado durante a fabricação.
Vitaminas hidrossolúveis, como a vitamina C, estão entre as mais suscetíveis às perdas durante o processamento industrial. Apesar disso, especialistas observam que os avanços tecnológicos têm reduzido esses impactos ao longo dos anos. Nutricionistas destacam que o principal desafio continua sendo aumentar o consumo de frutas e vegetais pela população. Nesse sentido, os produtos congelados podem representar uma estratégia importante para tornar a alimentação saudável mais acessível e conveniente. Além do custo geralmente menor, a possibilidade de armazenamento prolongado reduz desperdícios e facilita a inclusão desses alimentos na rotina diária.
Para especialistas, a prioridade deve ser garantir o consumo regular de frutas e vegetais, independentemente de serem frescos, congelados ou, em alguns casos, enlatados. Quando armazenados e preparados corretamente, esses produtos continuam sendo fontes relevantes de nutrientes e aliados importantes da saúde, impactando positivamente o bem-estar individual e coletivo.
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