DIREITOS E COTAS
Professor tem nomeação anulada após disputa judicial sobre cotas na UFPE
Após lecionar durante o primeiro semestre, docente perdeu o cargo por decisão judicial que questionou o cálculo de reserva de vagas por departamentos.
Um professor aprovado por cotas raciais para o Departamento de Engenharia Química da UFPE foi surpreendido com a anulação de sua nomeação enquanto exercia suas funções. A decisão, motivada por uma ação judicial movida por uma candidata da ampla concorrência, retirou o docente do cargo que ocupava desde o início do ano letivo de 2026.
A anulação da investidura ocorreu após uma sentença proferida em 28 de julho, que acolheu o argumento de que a vaga em questão não deveria ter sido destinada a cotistas. Para o professor, que não foi notificado previamente pela instituição, o impacto foi imediato: a perda súbita de sua fonte de renda e a descontinuidade de sua prática acadêmica.
Em nota, a UFPE esclareceu que a medida cumpriu uma determinação do Poder Judiciário. A universidade ressaltou seu dever de acatar decisões judiciais, independentemente da pendência de recursos, e afirmou que a anulação não partiu de uma iniciativa administrativa própria.
O cerne do conflito reside na interpretação da Lei 12.990, de 2014, e da nova legislação de 2025 sobre cotas. Especialistas apontam que a prática de fracionar vagas de um mesmo cargo, como o de Professor do Magistério Superior, por departamentos ou especialidades, é uma estratégia frequentemente utilizada para reduzir a base de cálculo da reserva de 30% destinada a candidatos negros, pardos, indígenas e quilombolas.
Ana Luisa de Oliveira, pesquisadora da UNIVASF, reforça que o cargo é único, independentemente da área de atuação. Ela destaca que o Acórdão nº 1.278/2026 do Tribunal de Contas da União já classificou como irregular o fracionamento que distorce a aplicação das ações afirmativas. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar a ADC 41, também já havia fixado parâmetros para impedir que seleções acadêmicas burlassem as cotas por meio da fragmentação de vagas.
O caso aguarda desfecho definitivo. Allison, o docente afetado, apresentou recurso contra a anulação. Um pedido para suspender os efeitos da sentença, protocolado em 13 de julho, ainda aguarda apreciação pelos magistrados responsáveis. Até o fechamento desta reportagem, a candidata nomeada em seu lugar ainda não havia assumido as turmas.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário