DECISÃO NO JÚRI

Justiça absolve Policial Militar e ex-policial da morte de Guilherme Silva Guedes

Protestos populares em São Paulo após a morte do adolescente Guilherme Silva Guedes.
Protestos na região de Americanópolis, periferia da zona sul de São Paulo, pela morte de Guilherme Silva Guedes (15.jun.2020) • Foto: Carolina Figueiredo

Jurados decidiram pela inocência dos réus por negativa de autoria. O caso, ocorrido em 2020 na zona Sul de São Paulo, gerou forte comoção social.

O Policial Militar Adriano Fernandes de Campos e o ex-policial militar Gilberto Eric Rodrigues foram absolvidos pelo Tribunal do Júri da acusação de homicídio contra o adolescente Guilherme Silva Guedes, de 15 anos. A sentença foi proferida na quarta-feira (12), encerrando um julgamento iniciado na terça-feira (11), sob a alegação de que não houve provas suficientes de autoria por parte dos réus.

A decisão do TJ-SP traz um desfecho judicial para um episódio que deixou marcas profundas na comunidade da Vila Clara. Para os familiares e moradores que acompanharam o desenrolar do caso desde 2020, o resultado do julgamento reabre feridas sobre a busca por justiça diante da violência urbana que ceifou a vida de um jovem residente na região.

De acordo com a defesa, composta pelos advogados Renato Soares, Mauro Ribas, Damilton Oliveira e Marcelo Primo, os laudos periciais e documentos apresentados foram fundamentais para que o conselho de sentença optasse pela absolvição. Os defensores sustentam que o veredito veredito pode influenciar a revisão de outros processos contra Gilberto Eric Rodrigues.

O crime ocorreu na madrugada de 14 de junho de 2020. Segundo a denúncia original do Ministério Público, o adolescente foi sequestrado na rua Rolando Curti, na zona Sul de São Paulo, após uma suposta invasão ao canteiro de obras da empresa Globalsan Saneamento e Construções Ltda, na rua Álvares Fagund Álvares Fagundes. O corpo foi encontrado posteriormente na Travessa da Saúde, em Diadema, com marcas de tiros.

A acusação apontava que Adriano Fernandes de Campos e Gilberto Eric Rodrigues atuavam no local como milícia privada, agindo sob o pretexto de segurança para impor medo à comunidade. O caso causou intensa revolta popular na época, resultando em manifestações na noite de 15 de junho de 2020, que incluíram o incêndio de ônibus na avenida Engenheiro Armando de Arruda Pereira e a mobilização de tropas do Choque e do Corpo de Bombeiros.

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