GOLPE À DIGNIDADE
Primeira-dama Janja critica declaração de Paulo Figueiredo sobre voto feminino
Janja Lula da Silva repudia afirmação de influenciador de direita de que "mulheres votam mal" durante conferência sobre desenvolvimento sustentável em Brasília. Declaração ocorreu em live e comparou o voto feminino ao de Michelle Bolsonaro.
A Primeira-dama Janja Lula da Silva expressou forte repúdio a uma declaração do jornalista e influenciador Paulo Figueiredo, que afirmou que "mulheres votam mal". A manifestação ocorreu nesta terça-feira, 30 de junho de 2026, durante a 1ª Conferência Nacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, em Brasília. A fala de Figueiredo, que ocorreu em uma live no YouTube na última quinta-feira, 26 de junho de 2026, atinge a dignidade de milhões de brasileiras e desconsidera o papel fundamental das mulheres na condução da nação.
Durante a conferência, realizada no CICB (Centro Internacional de Convenções do Brasil) e organizada pela Secretaria Geral da Presidência da República, Janja fez uma pausa em seu discurso sobre igualdade de gênero e desenvolvimento sustentável para condenar a fala. "Aqui eu deixo meu repúdio a essa pessoa porque nós, sim, nós somos maioria da população e sabemos muito bem conduzir uma nação ao seu pleno desenvolvimento, andando lado a lado com os companheiros homens para que esse Brasil finalmente chegue ao seu lugar", declarou Janja, ressaltando a importância da participação feminina na construção do país.
A declaração de Paulo Figueiredo, que é neto de João Figueiredo, último presidente da ditadura militar, foi feita em uma live onde ele disse que "mulher vota estatisticamente muito mal", especialmente as solteiras, e que mulheres casadas "em geral" tendem a seguir o voto do marido. Figueiredo também criticou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) por divergências políticas sobre a composição de chapa no Ceará, mencionando que "o Flávio [Bolsonaro] vai pior [nas pesquisas eleitorais] é justamente no eleitorado feminino". Essa comparação deslegitima o direito de escolha individual e a autonomia política das mulheres.
A conferência em Brasília reúne representantes do poder público e da sociedade civil para debater as diretrizes da Agenda 2030 no Brasil. A fala de Janja reforça a necessidade de combater discursos misóginos que buscam minar a participação e a capacidade decisória das mulheres na esfera política e social, reafirmando que o desenvolvimento pleno de uma nação passa, inegavelmente, pela igualdade de gênero e pelo respeito à dignidade de todas as pessoas.
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