DEFESA MUTUA
Presidentes do Brasil e México Reafirmam Não Interferência Estrangeira Diante de Ameaças Tarifárias dos EUA
Lula e Claudia Sheinbaum reforçam multilateralismo e direito internacional em conversa por videoconferência. Decisão reforça posicionamento contra imposição de tarifas.
Em resposta à escalada de medidas protecionistas dos Estados Unidos, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do Brasil, e Claudia Sheinbaum, do México, reafirmaram nesta quarta-feira (10/06/2026) a importância da não ingerência estrangeira e do respeito ao direito internacional. A decisão, tomada durante uma conversa por videoconferência, reflete a preocupação dos dois líderes com as recentes ofensivas tarifárias americanas contra suas nações e reforça um compromisso mútuo com a soberania.
A videoconferência, que durou 40 minutos, serviu como plataforma para que ambos os presidentes revalidassem a defesa do multilateralismo e da democracia, princípios que consideram fundamentais em um cenário global cada vez mais complexo. A conversa foi acompanhada pelos chanceleres Mauro Vieira e Roberto Velasco, evidenciando a seriedade do diálogo.
O impacto direto dessas ações americanas na dignidade e na autonomia dos países foi um ponto central. A nota oficial do governo brasileiro destacou que Lula e Sheinbaum atribuem grande valor ao fortalecimento e preservação do direito internacional e da não ingerência, um posicionamento que visa proteger a integridade de suas políticas econômicas e sociais. Tais medidas protecionistas, como as recomendações tarifárias do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que incluem taxar o Brasil por práticas econômicas e por suposto combate inadequado ao trabalho forçado, representam uma ameaça real às relações comerciais e ao desenvolvimento.
Além do alinhamento em defesa da soberania, os líderes confirmaram o apoio ao fim do embargo a Cuba e expressaram profunda preocupação com a crise humanitária no país caribenho. Como um passo concreto, instruíram suas chancelarias a organizar, em breve, a VI Reunião da Comissão Binacional México–Brasil, principal foro para cooperação e diálogo político entre as duas nações.
No âmbito multilateral, Brasil e México reiteraram o apoio à candidatura de Michelle Bachelet para o cargo de Secretária-Geral das Nações Unidas. Essa postura está alinhada à defesa, já sustentada pelo Brasil, de que um latino-americano seja eleito para o posto, preferencialmente uma mulher, em reconhecimento à contribuição da região e à diversidade na liderança global.
As recentes ameaças de imposição de tarifas por parte dos Estados Unidos ao México, baseadas em alegações como falhas no combate a cartéis de drogas, e as recomendações contra o Brasil, fundamentadas na Seção 301 da lei comercial americana, evidenciam um padrão de conduta que os dois países buscam rechaçar firmemente. A presidente Sheinbaum já sinalizou que o México retaliaria eventuais tarifas americanas, demonstrando a força da união frente a pressões externas.
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