ELEIÇÕES 2026 EM FOCO
Presidente Lula lidera pesquisas apesar de pressões e racha na oposição
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva segue na frente nas pesquisas eleitorais faltando três meses para o pleito. No entanto, o governo enfrenta escândalo envolvendo o Banco Master e a ameaça de tarifas dos Estados Unidos, enquanto a oposição se vê dividida após rompimento entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega à reta final de sua gestão e à véspera da campanha eleitoral de 2026 na liderança das pesquisas de intenção de voto. A três meses da eleição, o petista busca a reeleição em meio a pressões internas e externas. Um dos principais desafios é o escândalo ligado ao Banco Master, que atingiu o entorno do Palácio do Planalto, e a iminente ameaça de imposição de novas tarifas pelos Estados Unidos. Para reforçar a mensagem de governo, o presidente intensificou a agenda pública nesta semana, que foi a última antes do período de restrições eleitorais, participando de anúncios e inaugurações em 12 cidades. A iniciativa teve a participação de diversos ministros e autoridades. Enquanto o presidente Lula busca consolidar sua posição, a principal força de oposição, representada pelo grupo bolsonarista, enfrenta um racha significativo. O rompimento oficial entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) expôs profundas divisões internas. A crise eclodiu após Michelle divulgar vídeos nas redes sociais relatando ter sido humilhada por Flávio em uma conversa telefônica. O desentendimento público girou em torno da articulação política do PL no Ceará, com Michelle se opondo à aliança com Ciro Gomes (PSDB) para o governo estadual, defendendo em contrapartida o apoio a nomes alinhados ao bolsonarismo, como Eduardo Girão (Novo-CE). Internamente, o desgaste entre Michelle e os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é apontado por fontes próximas à família como um atrito de longa data, que se intensificou após a prisão de Jair Bolsonaro em agosto de 2025 e ganhou novo contorno quando Flávio foi anunciado como pré-candidato do grupo ao Palácio do Planalto. As trocas de indiretas tornaram-se frequentes, culminando na saída de Michelle da presidência do PL Mulher e no enfraquecimento de sua pré-candidatura ao Senado. O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, indicou, na quinta-feira (2/7), que Michelle não deve concorrer pelo Distrito Federal. O cenário político, embora marcado por essas turbulências na oposição, aponta para uma continuidade na polarização. Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada na quarta-feira (1º/7), indica que Lula detém 46,3% das intenções de voto no primeiro turno, contra 36,6% de Flávio Bolsonaro. Em um eventual segundo turno, o petista aparece com 48,8% contra 42,3% do senador, demonstrando uma ligeira queda de 5,7 pontos percentuais para Flávio em comparação com abril. O escândalo do Banco Master adiciona uma camada de complexidade ao cenário. Após revelações sobre ligações do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e Flávio Bolsonaro, investigações da Polícia Federal (PF) passaram a atingir o círculo do presidente Lula. O então líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), foi alvo de uma operação da PF em 18 de junho, que apura supostas irregularidades e recebimento de “vantagens econômicas” para defender os interesses do Banco Master no Congresso. Um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador e transferências de R$ 3,5 milhões a pessoas ligadas ao senador estão entre os repasses apontados. Embora Wagner negue as acusações, a medida de seu afastamento da liderança do governo no Senado foi vista como estratégica para conter o desgaste político. A senadora Teresa Leitão (PT-PE) assumiu a posição. A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg também revelou que 37,6% dos eleitores acreditam que aliados de Lula estão mais envolvidos no caso Master, em empate técnico com os 36% que atribuem o escândalo a aliados de Jair Bolsonaro. Para 17,1%, ambos os grupos políticos compartilham responsabilidade. Paralelamente, a ameaça de imposição de uma tarifa de 25% pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros se intensifica. O governo brasileiro, por meio do Itamaraty, busca alternativas para negociar com o governo de Donald Trump e evitar a taxação, apresentando um “mapa do caminho” com propostas de compensação em áreas como comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal. O objetivo é demonstrar que as práticas investigadas não distorcem o comércio norte-americano. Por outro lado, Flávio Bolsonaro enviou um ofício ao governo americano pedindo a suspensão da medida até após as eleições brasileiras, argumentando que a tarifa poderia favorecer Lula eleitoralmente. A decisão final dos Estados Unidos sobre a imposição da sobretaxa está prevista para 15 de julho, com reuniões técnicas entre os dois países agendadas para a próxima semana.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário