REATIVAÇÃO INDUSTRIAL
Presidente Lula assina retomada da fábrica de fertilizantes UFN-III da Petrobras em Três Lagoas (MS)
Após 11 anos parada, unidade de fertilizantes nitrogenados recebe investimento de R$ 5 bilhões e promete gerar 8 mil empregos. Previsão de início de operação em 2029.
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, participou nesta quinta-feira, 25 de junho de 2026, da assinatura dos contratos que garantem a conclusão das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (MS). A cerimônia marca a retomada de um empreendimento estratégico para o país, que estava paralisado há 11 anos, e reforça o compromisso com a ampliação da produção nacional de fertilizantes, reduzindo a dependência de importações.
Segundo a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, as obras serão reiniciadas em julho deste ano, com um investimento superior a R$ 5 bilhões. A expectativa é que a retomada gere cerca de 8 mil postos de trabalho diretos e indiretos, impulsionando a economia local e regional. A previsão é que a UFN-III entre em operação em 2029, com capacidade para produzir aproximadamente 1,2 milhão de toneladas de ureia e 70 mil toneladas de amônia anualmente. Essa produção é crucial para suprir a demanda do agronegócio brasileiro, que atualmente depende majoritariamente da importação de ureia, principal fonte de nitrogênio para o desenvolvimento de culturas como milho, cana-de-açúcar, trigo, arroz e café.
Em um esforço para preparar a força de trabalho local, a Petrobras aprovou o projeto 'Autonomia e Renda Três Lagoas'. A iniciativa visa qualificar a população para atuar na fábrica, com a oferta de 1,4 mil vagas para cursos de formação profissional em parceria com o Sesi, Senai e institutos federais. A ação demonstra o compromisso em garantir que a comunidade local seja a principal beneficiada pela geração de empregos e oportunidades.
A localização estratégica da UFN-III facilitará o abastecimento dos grandes centros produtores de fertilizantes em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo. A fábrica é vista como um pilar para fortalecer a autonomia e a competitividade do agronegócio brasileiro no cenário global.
O projeto da UFN-III iniciou suas obras em 2011, mas foi interrompido em dezembro de 2014 devido a descumprimentos contratuais. Em 2017, a Petrobras anunciou a venda da unidade como parte de uma estratégia de desinvestimento. Houve negociações com o grupo russo Acron, mas o processo foi suspenso por decisões judiciais que envolviam a necessidade de autorização do Congresso Nacional para a venda de estatais. Posteriormente, a Petrobras retomou o processo de venda, mas o grupo Acron desistiu devido a questões relacionadas ao fornecimento de gás natural da Bolívia, deixando o caminho livre para a atual decisão de retomada e conclusão pela própria Petrobras.
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