IA NAS URNAS

Presidente do TSE aponta IA como maior desafio para eleições de 2026

O Ministro Kassio Nunes Marques em evento no Tribunal Superior Eleitoral.
Nunes Marques durante posse no TSE.

Ministro Kassio Nunes Marques defende regras rigorosas e punições para fraudes eleitorais, destacando deepfakes como ameaça iminente. Novas diretrizes do TSE buscam mitigar riscos.

O avanço da inteligência artificial (IA) foi identificado pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, como o principal desafio para a garantia da lisura das eleições de 2026. A afirmação foi feita durante o seminário “Seta Debate — Inteligência Artificial nas Eleições 2026”, realizado em Brasília (DF) na quarta-feira, 20 de maio de 2026. O evento, promovido pela Seta Public Affairs, reuniu especialistas para discutir os impactos da tecnologia no processo eleitoral. Diante de um cenário considerado por ele como um "desafio amazônico" e "quase completamente desconhecido", Nunes Marques detalhou como a IA já altera a dinâmica eleitoral. A capacidade de coleta massiva de dados e a exploração de vulnerabilidades emocionais do eleitorado foram apontadas como ferramentas que potencializam a disseminação de desinformação, a "mentira tecnicamente otimizada", segundo suas palavras, como a ameaça mais relevante. O receio quanto à velocidade das fraudes digitais, especialmente o uso de deepfakes, foi reforçado por cientistas presentes. Nina da Hora, pesquisadora em Ciência da Computação, alertou que a clonagem de vídeos em tempo real representa um obstáculo técnico significativo, dada a dificuldade humana em processar e identificar tais manipulações com a mesma agilidade dos supercomputadores. Nunes Marques ressaltou o risco associado ao tempo de resposta da Justiça Eleitoral. Uma deepfake divulgada às vésperas de uma votação pode alcançar milhões de cidadãos antes que medidas judiciais tenham efeito. Silvio Meira, cientista-chefe da TDS Company, ponderou que o impacto final da IA dependerá de seu uso, classificando-a como uma infraestrutura com potencial tanto para proteger quanto para minar a democracia. Em resposta a essas preocupações, o TSE já estruturou salvaguardas jurídicas. As resoluções aprovadas, sob a relatoria de Nunes Marques, preveem punições para o uso irregular de conteúdo sintético, equiparando-o a abuso de poder político ou econômico e uso indevido dos meios de comunicação. As novas diretrizes estabelecem obrigações rigorosas para as plataformas de internet, incluindo planos de conformidade, rastreabilidade de dados e mitigação de riscos. Entre as medidas, destacam-se a identificação obrigatória de conteúdos gerados por IA, a criação de canais diretos de denúncia nos provedores e a possibilidade de inversão do ônus da prova em investigações complexas. Para dar suporte às perícias digitais rápidas e à análise de desinformação, o tribunal firmará convênios com universidades e manterá ativo o Siade (Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral). Nunes Marques assegurou, ainda, que toda automação institucional será submetida a supervisão humana estrita e proteção de dados, afirmando que "a inteligência artificial não pode substituir o juízo humano e a prudência decisória".

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