LEI FISCAL DESRESPEITADA

Presidente do TCU afirma que Congresso ignora Lei de Responsabilidade Fiscal em despesas

Vital do Rêgo, presidente do TCU.
Vital do Rêgo, presidente do Tribunal de Contas da União (TCU).

Vital do Rêgo critica aprovação de medidas com aumento de gastos públicos sem compensação. Para o presidente do Tribunal de Contas da União, o Legislativo descumpre regras fiscais, impactando o Orçamento.

O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo, declarou nesta segunda-feira, 15/06/2026, que o Congresso Nacional tem descumprido a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) ao aprovar propostas que elevam despesas públicas sem a devida indicação de fontes de compensação financeira. A afirmação foi feita em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, destacando a preocupação técnica do tribunal diante de decisões políticas que impactam as finanças do Estado.

Segundo Vital do Rêgo, o TCU se empenha em orientar o Legislativo sobre as consequências fiscais das chamadas “pautas-bomba”, mas encontra barreiras devido ao peso político dessas votações. Ele lamentou que a legislação, criada para garantir a saúde financeira dos entes públicos, seja frequentemente desconsiderada. “Nós somos um órgão técnico. A decisão é política. A decisão de matar a Lei de Responsabilidade Fiscal é de quem fez, o Congresso Nacional. É uma legislação que não se cumpre e é assassinada permanentemente”, disse o presidente do TCU.

O presidente do TCU reforçou a importância de se definir a origem dos recursos para cobrir qualquer aumento de gastos, citando o artigo 45 da LRF. Este artigo estabelece que novos projetos só podem ser incluídos no Orçamento após o atendimento daqueles já em andamento. “Se não houver a conclusão de um projeto, não pode começar outro. Você não pode criar uma pauta que impacta o Orçamento”, explicou Vital do Rêgo.

O presidente do TCU foi questionado sobre a aprovação das contas do governo federal. Ele observou que a última aprovação ocorreu na gestão de Fernando Henrique Cardoso, indicando uma normalização das ponderações técnicas pelo Congresso, que, segundo ele, não tem dado a devida atenção a essas ressalvas. “Quem rejeita e quem aprova não somos nós. Fazemos a parte técnica, orientamos, mandamos para o Congresso esse documento. Eles vão lá tomar a decisão política. Acho que não se está dando a devida atenção às ressalvas”, afirmou.

A declaração do presidente do TCU surge em um contexto de deliberações recentes no Senado e em comissões, que aprovaram projetos com potencial significativo de impacto fiscal. Em 10 de junho de 2026, o plenário aprovou o PL 5.122 de 2023, que prevê o uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal para refinanciar dívidas de produtores rurais afetados por eventos climáticos ou geopolíticos. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, estimou um impacto fiscal de até R$ 140 bilhões.

Adicionalmente, a CCJ aprovou a PEC 14 de 2021, que trata de alterações nas regras de aposentadoria para agentes comunitários de saúde e de combate a endemias, com um impacto estimado de R$ 30 bilhões em 10 anos. A CAS, por sua vez, aprovou o PL 1.365 de 2022, que eleva o piso salarial de médicos e cirurgiões-dentistas, com uma projeção de impacto de R$ 25 bilhões até 2029.

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