DECISÃO ADIADA NO SENADO

Presidente do Senado se reúne com governo sobre PEC 6x1, mas adia decisão sobre votação

Davi Alcolumbre, presidente do Senado.
Davi Alcolumbre, presidente do Senado.

Davi Alcolumbre e ministro José Guimarães discutiram a Proposta de Emenda à Constituição que busca encerrar a escala 6x1. Encontro não definiu data para análise e votação do texto no Senado.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), reuniu-se na última terça-feira, 9 de junho de 2026, com o ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães (PT-CE), para debater o andamento da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a jornada de trabalho em escala 6x1. A reunião, no entanto, terminou sem que uma data fosse definida para a votação da matéria, demonstrando a complexidade da negociação e a incerteza sobre o futuro da proposta.

O Planalto pressiona pela aprovação do texto antes das eleições, mas Alcolumbre mantém a proposta, já aprovada pela Câmara dos Deputados em 27 de maio de 2026, sob sua análise. Desde 28 de maio, a PEC aguarda direcionamento na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, sem definição sobre quem será o relator. A decisão impacta diretamente a rotina de milhões de trabalhadores que atuam sob essa modalidade de escala.

A proposta aprovada na Câmara estabelece a redução da jornada semanal máxima de 44 para 40 horas, com a garantia de duas folgas remuneradas por semana, substituindo a escala 6x1 pelo modelo 5x2. Na Casa Legislativa, a matéria obteve apoio expressivo, com 472 votos a favor no primeiro turno e 461 a 19 no segundo.

Durante as discussões, houve a defesa de que o senador Camilo Santana (PT-CE) assumisse a relatoria da proposta no Senado. Contudo, a escolha final recai sobre a prerrogativa de Davi Alcolumbre.

O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), indicou na terça-feira (9.jun.2026) a expectativa de que a PEC fosse encaminhada à CCJ na semana seguinte. Ele mencionou a possibilidade de o texto tramitar por uma única comissão antes de chegar ao plenário, um rito que poderia agilizar a análise.

Em contrapartida, o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), esclareceu que a PEC do horário flexível, apresentada como alternativa ao fim da escala 6x1, não será apensada à proposta vinda da Câmara. Os dois textos terão, portanto, trajetórias legislativas distintas.

A proposta alternativa, de autoria do senador Rogério Marinho (PL-RN), propõe a possibilidade de jornadas de até 12 horas diárias, com limite semanal de 48 horas, mediante acordo individual ou coletivo. Ela também regulamentaria bancos de horas e o trabalho em feriados e domingos. Senadores como Romário (PL-RJ), Zequinha Marinho (Podemos-PA) e Cleitinho (Republicanos-MG) tentaram retirar suas assinaturas, mas o Senado impediu.

Paralelamente, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), solicitou ao Executivo a retirada da urgência do Projeto de Lei que também trata do fim da escala 6x1. O governo, contudo, não deve atender ao pedido. O projeto, enviado em 14 de abril de 2026, tem travado a pauta da Câmara há mais de 45 dias sem votação.

A estratégia do Planalto em manter a pauta da Câmara paralisada visa pressionar Davi Alcolumbre a agilizar o trâmite da PEC no Senado. Acredita-se que a paralisação legislativa também fomentará pressão de deputados, pois impede a análise de outras matérias importantes.

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