ALERTAS DA BOLSA

Presidente do Federal Reserve de Dallas: Mundo pode precisar reduzir consumo de petróleo e gás

Foto de Lorie Logan, presidente do Federal Reserve de Dallas.
Lorie Logan, presidente do Federal Reserve de Dallas, discursou sobre a segurança energética global.

Lorie Logan avalia cenário de escassez no Estreito de Ormuz e alerta para necessidade de adaptação energética diante da guerra entre Estados Unidos e Irã.

O mundo pode precisar se adaptar a um consumo menor de petróleo e gás se o Estreito de Ormuz permanecer fechado por um período prolongado, em decorrência da guerra entre os Estados Unidos e o Irã. A afirmação é de Lorie Logan, presidente do Federal Reserve de Dallas, que se pronunciou nesta quarta-feira, 27/05/2026.

O conflito, que já dura três meses, levou a restrições no transporte marítimo pelo estreito, impactando significativamente os preços de energia, alimentos e fertilizantes globalmente. Antes do embate, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo era transportado por essa via estratégica.

Em um discurso preparado para uma conferência do Banco do Japão, Logan destacou que, com os suprimentos em um patamar restrito, o consumo mundial de petróleo e gás pode necessitar de uma redução mais acentuada do que a observada até o momento, caso o tráfego pelo estreito não retorne aos níveis pré-guerra em breve.

As consequências econômicas dessa escassez, segundo a presidente do Fed de Dallas, dependerão da capacidade dos usuários em migrar para fontes alternativas de energia ou em otimizar o uso dos recursos existentes, em vez de simplesmente diminuir a atividade econômica.

Executivos do setor de petróleo dos EUA, em uma pesquisa recente divulgada pelo próprio Fed de Dallas, indicaram expectativas de um aumento modesto na produção nacional: 250 mil barris por dia este ano e 500 mil barris por dia no próximo. Esses números contrastam com a redução de aproximadamente 13 milhões de barris diários na oferta global desde o início da guerra com o Irã. Essa lacuna, explicou Logan, tem sido suprida pela diminuição de estoques, que são finitos.

"De uma forma ou de outra, espero que os mercados de energia entrem em um equilíbrio aproximado em pouco tempo", previu Logan. "Se as moléculas não estiverem disponíveis, o mundo não poderá consumi-las."

Lorie Logan foi uma das três autoridades do Fed que divergiram da decisão sobre a taxa de juros no mês passado. A discordância surgiu da visão de que o banco central dos EUA deveria sinalizar que, devido ao aumento nos preços de energia e outros produtos, um aumento na taxa de juros seria tão provável quanto um corte. Em seus comentários preparados para a conferência desta quarta-feira (26), ela evitou previsões econômicas de curto prazo e comentários sobre política monetária.

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