ORÇAMENTO DOMÉSTICO APERTADO
Mais da metade dos trabalhadores brasileiros termina o mês sem recursos
Pesquisa de Saúde Financeira dos Trabalhadores 2026 revela que 53% dos profissionais não cobrem as despesas básicas e sofrem impactos diretos na produtividade.
Uma parcela expressiva dos profissionais brasileiros enfrenta dificuldades severas para encerrar o mês com as contas quitadas, evidenciando uma pressão contínua sobre a estabilidade financeira das famílias. O cenário foi detalhado na Pesquisa de Saúde Financeira dos Trabalhadores 2026, realizada pela Serasa Experian e divulgada nesta terça-feira (18).
Conforme o levantamento, 53% dos entrevistados esgotam seus recursos antes de chegar ao próximo salário. O índice mantém-se praticamente estagnado em relação aos 54% registrados no ano anterior, o que aponta para um desafio estrutural e persistente para a classe trabalhadora. Dentre esse grupo que não consegue fechar o mês apenas com a renda disponível, 47% necessitam buscar alternativas para complementar o orçamento, enquanto 6% permanecem sem qualquer recurso.
Pressão sobre o cotidiano e saúde mental
O custo de vida, especialmente com alimentação (78%) e contas fixas de consumo como luz e água (72%), é o principal motor dessa instabilidade. Essa margem estreita limita a capacidade de reação dos indivíduos diante de imprevistos, forçando a busca por crédito. Para Délber Lage, CEO da SalaryFits, a cronicidade desse quadro exige atenção, pois o impacto transcende a vida financeira e alcança o bem-estar físico e mental.
O reflexo direto no ambiente profissional é alarmante: entre os trabalhadores afetados, 51% relatam estresse, 46% apontam exaustão extrema e 33% confirmam queda na produtividade. Segundo Lage, as empresas não podem ignorar esses sinais. O especialista reforça que, embora a vida financeira pessoal não deva ser enquadrada diretamente no PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos), as lideranças precisam considerar que o estresse financeiro é um fator psicossocial que drena o rendimento e a saúde do colaborador.
A pesquisa consultou 1.008 profissionais, abrangendo tanto trabalhadores sob o regime da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) quanto aqueles que atuam como PJ (Pessoa Jurídica), com margem de erro de 3,1 pontos percentuais.
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