RESILIÊNCIA REGIONAL
Presidente do BID, Goldfajn, vê América Latina mais forte contra a crise
Estudo do BID apresentado na Brazil Week aponta menor vulnerabilidade. Pobreza pode crescer até 0,8 ponto se crise durar.
A América Latina e o Caribe demonstram uma notável capacidade de resistência aos severos impactos econômicos da guerra no Oriente Médio, conforme avaliação de Ilan Goldfajn, presidente do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), apresentada nesta segunda-feira, 11/05/2026, durante a Brazil Week. Esta constatação, baseada em um estudo da instituição, sublinha que a região se encontra "muito mais resiliente" ao choque nos preços e na oferta de petróleo do que outras partes do globo, oferecendo uma importante salvaguarda contra o avanço da inflação, o encarecimento de alimentos e o consequente aumento da pobreza.
Em entrevista exclusiva à CNN Brasil, Goldfajn descreveu a atual conjuntura como "o maior choque" que o mundo enfrenta. Contudo, ao comparar a posição dos países latino-americanos com os da Ásia, África e Europa, o economista percebe a região "mais preparada" para absorver as tensões.
Apesar da resiliência, o presidente do BID alerta que a pressão econômica não cessará em breve. "O choque não vai acabar hoje", afirmou Goldfajn, indicando que "o preço do petróleo pode ficar mais alto por um tempo". Essa persistência na elevação dos custos da commodity, historicamente, exerce uma forte influência sobre a inflação geral e, de modo mais crítico, sobre os preços dos alimentos, afetando diretamente o poder de compra e a segurança alimentar das famílias.
O economista ressalta uma preocupante tendência: o aumento da inflação, especialmente nos alimentos, pode intensificar a pobreza, empurrando mais pessoas para a vulnerabilidade. Segundo o estudo do BID, se o cenário de estresse econômico se estender por mais de quatro trimestres, a taxa de pobreza na América Latina pode subir entre 0,3 e 0,8 ponto percentual, dependendo da nação. Esse prognóstico acende um alerta sobre a necessidade de políticas públicas robustas para proteger os mais vulneráveis.
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