FIM DA ESCALA 6X1
Presidente da Apas alerta que redução de jornada encarecerá produtos e agravará falta de mão de obra
Erlon Ortega, da Associação Paulista de Supermercados, projeta aumento de até 10% nos preços e agravamento da escassez de profissionais em um setor que já possui 35 mil vagas abertas.
A discussão sobre o fim da escala 6x1 continua gerando preocupação no setor produtivo. Em entrevista à CNN Money, o presidente da Apas (Associação Paulista de Supermercados), Erlon Ortega, afirmou que a redução da jornada de trabalho pode encarecer os produtos e agravar a escassez de mão de obra já enfrentada pelo segmento.
Segundo ele, os supermercados paulistas acumulam cerca de 35 mil vagas abertas. Caso a proposta seja aprovada nos moldes discutidos na Câmara dos Deputados, a demanda por trabalhadores aumentaria ao menos 10%. “Primeiro, não tem essa mão de obra. E, segundo, o impacto que teria no custo de vida de todos os brasileiros”, disse Ortega.
A Apas estima que a mudança poderia elevar os preços entre 8% e 10%. Outros setores da economia, segundo o dirigente, enfrentariam reajustes ainda maiores. Ortega também citou pesquisas que apontam queda no apoio popular à proposta, o que, em sua avaliação, reflete a percepção dos custos envolvidos. “É o entendimento da população que isso tem um custo e a gente precisa de modernidade através da liberdade das relações de trabalho”, afirmou.
Como alternativa, o dirigente defendeu a aprovação da PEC 12, em tramitação no Senado. A proposta prevê maior flexibilidade nas relações trabalhistas, atendendo especialmente aos trabalhadores mais jovens — que representam cerca de um terço da força de trabalho do setor supermercadista e buscam conciliar emprego formal, estudos, trabalho por aplicativo e empreendedorismo.
Ele destacou ainda que um manifesto assinado por mais de 3 mil entidades e um pedido formal de prefeitos de todo o país foram encaminhados ao Senado, evidenciando a abrangência da preocupação com o tema. "Não tem trabalhador forte com empresa fraca, nem empresa forte com trabalhador fraco", concluiu o presidente da Apas.
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