DESAFIO NO COCKPIT
Presença feminina na aviação brasileira permanece estagnada em 3,76%
Dados da ANAC revelam que, de 29.359 licenças expedidas em duas décadas, apenas 1.105 foram para mulheres; barreiras financeiras e a conciliação com a maternidade dificultam o acesso.
A participação feminina na aviação comercial brasileira reflete um cenário de estagnação histórica, representando apenas 3,76% do total de pilotos no país. O levantamento, consolidado a partir de dados da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) e da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), aponta que, entre 2005 e o primeiro semestre de 2026, foram emitidas 29.359 licenças, sendo que a vasta maioria foi concedida a homens.
Neste domingo, 12/07/2026, o setor aéreo contabiliza 1.105 mulheres aptas a pilotar para companhias aéreas, embora apenas 235 ocupem efetivamente o cockpit das três maiores empresas do país: Azul, GOL e Latam Brasil. A disparidade torna-se ainda mais evidente quando comparada a mercados internacionais, como a Índia, onde mulheres representam cerca de 15% do quadro de pilotos.
A comandante Tatiana Mônico, referência na área, aponta que o baixo índice não é fruto de uma única causa, mas de um conjunto de barreiras estruturais. Entre os desafios, destaca-se o alto custo da formação — que pode variar de R$ 80.000 a R$ 300 mil — somado à dificuldade de acumular as horas de voo exigidas pelas companhias e a necessidade de conciliar a rotina irregular da profissão com a sobrecarga de afazeres domésticos e a maternidade.
“Acredito que somos poucas mulheres piloto mais por opção da mulher”, pondera Mônico, ao refletir sobre as abdicações que a carreira impõe. Por outro lado, a aviação apresenta uma peculiaridade positiva em relação a outros setores: a igualdade salarial. Como a remuneração é atrelada a critérios técnicos, como horas voadas, não há, em tese, diferenciação baseada em gênero, embora as empresas mantenham sigilo sobre detalhes específicos de seus quadros.
Enquanto a Latam Brasil e a Azul implementam programas de diversidade e incentivo, como o "Proa Direta", a ocupação feminina segue um ritmo lento de crescimento. Em 2005, apenas 14 mulheres receberam licenças; em 2025, esse número subiu para 114, o patamar mais alto da série histórica, mas ainda insuficiente para alterar significativamente a fatia de participação no mercado nacional.
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