RECUO NA REPRESENTATIVIDADE

Presença feminina em chapas à Presidência cai nas eleições de 2026

Gráfico demonstrando a queda na participação de mulheres nas chapas presidenciais.
Infográfico sobre a participação feminina nas eleições presidenciais.

Número de mulheres que encabeçam chapas presidenciais cai pela metade em relação a 2022. Especialistas apontam barreiras estruturais e informais nos partidos.

A participação feminina na disputa pelo Poder Executivo federal sofreu um retrocesso nas eleições de 2026. A quantidade de mulheres que encabeçam as chapas presidenciais caiu pela metade, passando de quatro candidatas em 2022 para apenas duas no pleito atual. O cenário, construído a partir de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), reflete um desafio persistente para a igualdade de gênero na política institucional brasileira.

Ao todo, sete mulheres compõem as chapas este ano: além das duas candidatas à Presidência, cinco concorrem ao cargo de vice. Embora o número total de mulheres participantes seja numericamente próximo ao pleito anterior, a representatividade proporcional encolheu. Com a existência de 13 chapas registradas — duas a mais que em 2022 —, a fatia ocupada por mulheres passou de 36% para 27% das posições em disputa.

É importante ressaltar que este quadro é preliminar, uma vez que as candidaturas ainda estão em fase de julgamento pela Justiça Eleitoral. O status definitivo das chapas depende da análise dos tribunais, que decidem sobre a elegibilidade e a regularidade dos registros.

Para especialistas como Hannah Maruci Aflalo, cientista política e fundadora da Tenda das Candidatas, o debate não deve se limitar apenas aos números. "É preciso olhar que presença essas mulheres estão tendo, que lugares ocupam e se essas chapas têm estrutura, recursos, exposição e apoio político", analisa. O fenômeno da sub-representação é frequentemente alimentado por redes informais de poder, onde decisões cruciais ocorrem longe das instâncias formais, excluindo perfis diversos.

A ausência de mecanismos obrigatórios, como cotas específicas para cargos majoritários, também é apontada como um entrave. Diferente das eleições proporcionais para o Legislativo, as chapas para o Executivo não seguem regras de reserva de vagas. Segundo Luciana de Oliveira Ramos, professora da FGV Direito SP, qualquer mudança normativa nesse sentido enfrentaria desafios constitucionais complexos, como a autonomia partidária.

Enquanto a ocupação de espaços de poder permanece limitada, a resistência persiste em núcleos como o das candidaturas de Samara Martins e Raquel Brício, da UP, e Clariana Barão e Fabiana Torquato, do DC. Estas compõem as únicas duas chapas exclusivamente femininas do pleito, repetindo o marco recorde alcançado em 2022.

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