ALERTA NA BIODIVERSIDADE

Presença de golfinhos cai 59% em Fernando de Noronha, aponta estudo

Grupo de golfinhos nadando nas águas de Fernando de Noronha
Golfinhos em Fernando de Noronha são monitorados há décadas pelo Projeto Golfinho Rotador. Foto: Projeto Golfinho Rotador/Divulgação

Queda inédita na ocupação de áreas de descanso desafia a ciência e acende alerta sobre o impacto do turismo e mudanças ambientais no arquipélago.

Uma redução drástica na frequência dos golfinhos-rotadores em Fernando de Noronha foi confirmada por um monitoramento científico de longo prazo. A diminuição de 59% na presença dos animais, registrada ao longo de 2025, marca a menor taxa de ocupação da espécie no arquipélago em mais de 30 anos de estudos contínuos, conforme revelado nesta segunda-feira, 13/07/2026.

O Projeto Golfinho Rotador, responsável pelo acompanhamento, aponta que a alteração foge aos padrões históricos de comportamento da espécie. Durante décadas, os golfinhos utilizavam a Baía dos Golfinhos, a Baía de Santo Antônio e a região Entre Ilhas para momentos vitais como descanso, socialização e cuidado com os filhotes.

O oceanógrafo José Martins, coordenador do Projeto Golfinho Rotador, ressalta que a gravidade do cenário reside na quebra da estabilidade ecológica observada anteriormente. "Quando um comportamento que se repetiu por tantos anos muda de forma consistente, a ciência precisa olhar para isso com muita atenção", afirma.

Fatores sob análise

Os pesquisadores trabalham com a hipótese de uma combinação de fatores. O aquecimento global e as alterações nas correntes marinhas podem estar afetando a cadeia alimentar local, tornando a região menos atrativa para os animais. Paralelamente, o aumento da presença de tubarões-tigres e o impacto direto do fluxo de embarcações são investigados como possíveis gatilhos para o afastamento dos golfinhos.

A pressão do turismo também integra a análise. Com o volume de visitantes superando frequentemente os limites estabelecidos pelas autoridades, a movimentação constante de barcos pode interromper ciclos de descanso e elevar os níveis de estresse dos espécimes, comprometendo o bem-estar e a conservação da vida marinha na região.

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