GOVERNO ESTADUAL EM DÉBITO

Prefeituras do RN cobram repasses estaduais atrasados e dívida supera R$ 100 milhões

Prefeitos e representantes de municípios do Rio Grande do Norte em reunião.
Gestores municipais do Rio Grande do Norte buscam regularização de repasses atrasados pelo Governo do Estado.

Federação dos Municípios do RN (Femurn) aponta atrasos em repasses de IPVA, ICMS e FUNDEB. Gestores alertam para o impacto na oferta de serviços essenciais à população.

Gestores municipais de todo o Rio Grande do Norte estão mobilizados pela cobrança de repasses estaduais constitucionais que o Governo do Estado deixou de efetuar, acumulando uma dívida que ultrapassa os R$ 100 milhões. A medida, decidida após levantamento da Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (Femurn), compromete o funcionamento de serviços essenciais e o planejamento financeiro das 167 cidades potiguares. A situação, que se agrava com a retenção de recursos de fontes como IPVA, ICMS e FUNDEB, impacta diretamente a dignidade da população, especialmente em municípios de menor porte que dependem dessas verbas para manter escolas, unidades de saúde e limpeza urbana.

Segundo o levantamento da Femurn, a maior parte da dívida concentrada em repasses não realizados totaliza R$ 212.926.331,45, sendo R$ 50.403.479,63 de IPVA, R$ 95.014.192,25 de ICMS e R$ 67.477.772,24 de FUNDEB de ICMS. A entidade reforça que esses valores pertencem aos municípios e possuem destinação legal específica, não podendo ser retidos ou redirecionados pelo governo estadual.

O presidente da Femurn, José Augusto Rego, ressaltou que o atraso transcende a esfera administrativa, afetando diretamente a vida dos cidadãos. "Cidades de menor porte são as mais vulneráveis, pois dependem fortemente dessas transferências para manter escolas, unidades de saúde, limpeza urbana e demais serviços públicos", explicou.

A preocupação da entidade é ampliada pela previsão de novos repasses nos próximos dias. A Femurn alerta que, caso a situação não seja normalizada rapidamente, o passivo poderá aumentar, agravando a capacidade financeira das prefeituras e dificultando o cumprimento de compromissos.

A Associação dos Municípios do Oeste Potiguar (Amop) também manifestou apreensão. O presidente, Raimundo Dias Pinheiro, conhecido como Raimundo Pezão, afirmou que a situação preocupa prefeitos de toda a região devido aos reflexos diretos na oferta de serviços públicos. "A atuação da Femurn tem sido importante na defesa dos interesses municipalistas, mantendo diálogo permanente com o Executivo estadual enquanto cobra uma solução para os atrasos", disse.

Em Umarizal, o prefeito Raimundo Pezão apontou que muitos municípios já assumem despesas que extrapolam suas competências constitucionais. "A ausência dos repasses amplia o desequilíbrio financeiro das prefeituras justamente em um momento de aumento das demandas por serviços públicos", declarou, defendendo maior compromisso do Estado com o cumprimento do calendário de transferências.

Na região do Seridó, a dificuldade é semelhante. Francisco Macedo da Silva, vice-presidente da Associação dos Municípios da Microrregião do Seridó Ocidental-Trairi (Amso-TR) e prefeito de Tenente Laurentino Cruz, relatou que o planejamento financeiro do município foi prejudicado pela ausência da parcela do ICMS, dificultando pagamentos a fornecedores. Embora parte dos recursos tenha sido liberada posteriormente, de forma parcelada, o equilíbrio das contas municipais continua comprometido.

O prefeito de Cerro Corá, Maciel Freire, classificou a situação como preocupante. "Atrasos nos repasses comprometem o fluxo de caixa das administrações e dificultam o funcionamento de setores estratégicos como saúde, educação e assistência social", disse. Ele lamentou que diversos municípios tenham recorrido a receitas próprias para evitar interrupções dos serviços, alternativa considerada inviável a longo prazo.

Na capital, o prefeito de Natal, Paulinho Freire, afirmou que a irregularidade nas transferências afeta o planejamento administrativo e a execução de políticas públicas. Em Mossoró, a Secretaria Municipal de Planejamento, Orçamento e Finanças informou que o município deixou de receber aproximadamente R$ 3,05 milhões referentes à arrecadação do ICMS da última semana de junho, recursos essenciais para despesas em saúde, limpeza urbana e contratos terceirizados.

Em resposta, a Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz) admitiu o atraso e informou o início da regularização. Segundo a pasta, 60% da parcela do ICMS destinada aos municípios foi liberada na segunda-feira, 6 de julho, com o restante a ser transferido na terça-feira, 7 de julho. Os repasses referentes à semana corrente, incluindo ICMS e Fundeb, deverão ser concluídos até a sexta-feira, 10 de julho.

A Sefaz reafirmou o compromisso com a transparência, o diálogo institucional e a normalização do fluxo de repasses constitucionais, garantindo a cooperação entre os entes públicos e o cumprimento de suas obrigações.

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