servidor público em risco

Servidores do RN protestam contra o Governo após TCE solicitar lista de funcionários aptos à aposentadoria

Servidores públicos em frente ao prédio do Governo do Estado do Rio Grande do Norte.
Manifestação de servidores públicos em Natal, Rio Grande do Norte.

Tribunal de Contas do Estado (TCE) enviou ofício às secretarias solicitando a identificação de servidores que ingressaram antes da Constituição de 1988 e recebem abono de permanência, gerando apreensão entre os trabalhadores.

Servidores públicos do Rio Grande do Norte, de diversas categorias, uniram-se em um protesto contra o Governo do Estado na manhã desta quinta-feira, 09/07/2026. A manifestação ocorreu em frente à Governadoria, no Centro Administrativo, em Lagoa Nova, Natal, e foi motivada por um pedido do Tribunal de Contas do Estado (TCE). O TCE solicitou às secretarias estaduais um levantamento de funcionários aptos a se aposentar, mas que ainda permanecem em atividade, gerando preocupação sobre a manutenção de benefícios como o abono de permanência.

Com bandeiras e faixas, trabalhadores das áreas de educação, saúde, polícia científica, administração direta e indireta cobraram da Governadora Fátima Bezerra uma audiência. Eles temem que a solicitação do TCE, juntamente com o discurso de crise fiscal do Estado, possa levar à retirada do abono de permanência, benefício destinado a servidores que ingressaram no serviço público antes de 1988.

O Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público da Administração Direta do Estado do Rio Grande do Norte (SINSP-RN) emitiu um comunicado afirmando que o discurso da crise fiscal é utilizado para transferir aos servidores a responsabilidade por problemas com outras origens. A entidade aponta como fatores que comprometem as finanças do Estado a dívida ativa bilionária, renúncias fiscais, crescente terceirização de serviços e privilégios em cúpulas de poderes.

Janeayre Souto, presidente do SINSP-RN, classificou a ação como uma manobra do governo em conjunto com o TCE e a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) para restringir direitos. Bruno Vital, representante do Sindicato dos Trabalhadores da Educação, reforçou que a reivindicação por uma audiência com a governadora visa discutir o "cerco" aos servidores que ingressaram antes de 1988, argumentando que o Estado busca neles a solução para a crise financeira.

Em resposta, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Fazenda (Sefaz), informou que nenhuma medida foi aplicada para retirar o abono de permanência de servidores que já cumpriram os requisitos para aposentadoria e continuam trabalhando. O secretário de Fazenda do RN, Álvaro Luiz Bezerra, explicou que o TCE oficiou as secretarias para identificar servidores que ingressaram sem concurso público antes da Constituição de 1988 e que recebem o abono. Segundo o secretário, o TCE estuda se esses servidores teriam direito ao benefício, mas ressaltou que não há intenção do Executivo em retirar o abono, pois se trata de um direito legal.

A decisão do TCE de solicitar o levantamento ainda não é definitiva, e o governo assegura que não há medida executiva para a retirada do abono de permanência. A situação segue em observação, com os servidores buscando garantir seus direitos e o Estado investigando possíveis ajustes fiscais.

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