DRENAGEM REFORÇADA AGORA

Prefeitura investe R$ 21 milhões para drenagem de Ponta Negra

Imagem de alagamento na praia de Ponta Negra, Natal, Rio Grande do Norte.
Prefeitura planeja reservatórios subterrâneos para conter alagamentos em Ponta Negra.

Licitação abre em 27 de maio de 2026 para construir três estruturas subterrâneas contra alagamentos e poças na faixa de areia.

A Prefeitura do Natal confirmou, nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, a abertura da licitação para construir três reservatórios subterrâneos em Ponta Negra. A medida, com investimento previsto de R$ 21 milhões, visa combater os persistentes alagamentos e a formação de "espelhos d’água" na faixa de areia após chuvas intensas. Esta iniciativa, vista como uma obra complementar à recente engorda da praia, busca restaurar a dignidade e a segurança dos frequentadores, além de responder às crescentes preocupações com saúde pública e o impacto no turismo local.

A secretária municipal de Infraestrutura, Shirley Cavalcanti, detalhou que a nova etapa tem como foco reter parte da água ainda na área do bairro, impedindo que ela desça para a praia. "Decidimos avançar com esse estudo de novos reservatórios. Faremos esses três grandes reservatórios nas ruas, que começarão a reter a água lá em cima," afirmou Shirley Cavalcanti na manhã desta segunda-feira, 18 de maio de 2026, durante entrevista ao programa Contraponto, da 96 FM, com o jornalista Diógenes Dantas. A expectativa é que a execução da obra leve cinco meses após a conclusão do processo licitatório, que tem abertura marcada para 27 de maio de 2026.

Um dos reservatórios ficará estrategicamente localizado na Rua Praia de Pirangi, próximo à Avenida Praia de Ponta Negra, com a função de conter a água que flui desde a região do Frasqueirão. O segundo será instalado na Avenida Francisco Gurgel, na descida da rotatória em direção à praia, crucial para atuar antes do dissipador 9 – um ponto que, segundo a secretária, recebe cerca de 70% da contribuição da bacia. O terceiro reservatório será erguido por trás do restaurante Old Five, nas imediações do Morro do Careca.

A construção desses reservatórios surge como uma resposta direta ao principal desafio enfrentado pela engorda de Ponta Negra. Desde sua finalização, a nova faixa de areia tem acumulado água em períodos de chuva, criando extensas poças que geraram severas críticas de moradores, comerciantes, turistas e órgãos de controle. O Ministério Público Federal (MPF) chegou a mover um processo judicial, exigindo obras emergenciais, manutenção, limpeza e reestruturação do sistema de drenagem, alertando para sérios riscos à saúde pública, ao turismo, à integridade do Morro do Careca e à própria faixa de areia, comprometendo o uso e a beleza da praia.

Shirley Cavalcanti reconheceu a existência do problema, mas defendeu que a formação dos espelhos d’água já estava prevista no projeto de drenagem original da engorda. Ela explicou que chuvas acima de 40 milímetros podem causar acúmulo de água, e Ponta Negra já registrou precipitações de até 120 milímetros, intensificando a situação. "A formação dos espelhos d’água já estava prevista nesse projeto dos dissipadores," ressaltou. "Já sabíamos que eles iriam se formar com a água da chuva."

A secretária também apontou que a água servida que desce do bairro agrava a situação. Essa contribuição sempre existiu, segundo ela, mas antes seguia diretamente para o mar sem a faixa de areia ampliada. "As pessoas simplesmente não viam aquela água suja. Ela descia para a maré direto," afirmou. Com a engorda, a presença dessa água na areia se tornou visível e, consequentemente, um foco de preocupação sanitária.

O projeto de drenagem inicial da obra foi concebido com 16 dissipadores de energia, estruturas de concreto projetadas para diminuir a velocidade da água que escoa do bairro para a praia. Shirley Cavalcanti esclareceu que, durante os estudos prévios à engorda, foram avaliadas três opções: emissários submarinos, lagoas ou reservatórios, e os dissipadores. A opção por emissários submarinos foi descartada devido à complexidade do licenciamento, necessidade de audiências públicas e um custo estimado de R$ 100 milhões. Já as lagoas seriam inviáveis pela falta de áreas disponíveis em Ponta Negra para comportar o volume de até 200 milhões de litros de água em chuvas intensas.

Assim, a escolha inicial recaiu sobre os dissipadores. "Eles contêm a força da água e a direcionam de forma mais lenta para a faixa de areia," explicou a secretária. Para Shirley, o sistema funciona, mas revelou-se insuficiente diante de chuvas mais fortes e da questão da água servida. "Está funcionando plenamente? Está funcionando. É positivo? Não. Estamos identificando o que é negativo e esta obra complementar vem para solucionar isso," disse.

A gestora também refutou as críticas contidas no relatório do Ministério Público Federal e negou categoricamente a existência de "tubulação falsa" na obra. Conforme Shirley Cavalcanti, uma tubulação foi reposicionada por uma decisão puramente técnica, com o objetivo de evitar que a água proveniente do calçadão adentrasse os dissipadores. Ela esclareceu ainda que os canos de PVC no dissipador 16, próximo ao Morro do Careca, são parte integrante do projeto e servem para espalhar a água de maneira mais gradual, prevenindo erosão. Outro ponto questionado, interpretado como lona, seria, na verdade, uma manta geotêxtil, material padrão em obras de drenagem para reter sedimentos sem obstruir o fluxo de água.

A polêmica em torno da engorda ecoou também na Câmara Municipal de Natal. A vereadora Brisa Bracchi (PT) solicitou a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar o projeto. Shirley Cavalcanti assegurou que a Prefeitura não teme qualquer investigação e que todos os esclarecimentos necessários serão prestados caso a comissão seja instalada. Contudo, mencionou que o prefeito Paulinho Freire (União) detém a maioria na Casa Legislativa e que os vereadores já receberam informações técnicas detalhadas sobre a obra.

A secretária negou que a execução da engorda tenha sido apressada. Segundo ela, a solução dos dissipadores estava definida desde 2022, foi amplamente discutida em audiência pública e constava no processo de licenciamento ambiental. Para a Prefeitura do Natal, os novos reservatórios não representam uma correção de falhas na drenagem original, mas sim uma etapa complementar estratégica para reduzir o impacto visual e sanitário do acúmulo de água na icônica praia.

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