CRIME NA FRONTEIRA
Povos Indígenas da fronteira entre Brasil e Peru enfrentam ameaças do crime organizado
Memorando entre Brasil e Peru busca conter a violência do narcotráfico contra o povo Apiwtxa na Terra Indígena Kampa do Rio Amônia.
Lideranças indígenas enfrentam uma escalada de violência após a invasão da Terra Indígena Kampa do Rio Amônia por homens armados que buscavam atingir os principais líderes do povo Apiwtxa. O episódio, ocorrido no início de julho, expõe a vulnerabilidade das comunidades diante da expansão de redes criminosas transnacionais na região amazônica.
No intuito de responder a essa ameaça, o Ministério dos Povos Indígenas do Brasil anunciou na sexta-feira (24) a assinatura de um memorando de entendimento com o Ministério da Cultura do Peru. O pacto visa fortalecer a coordenação binacional para proteger territórios indígenas, especialmente aqueles habitados por povos isolados que têm suas vidas e culturas postas em risco.
A gravidade da situação foi confirmada em relatos de Francisco Piyãko à Associated Press e ao jornal The Guardian, nos quais descreveu as comunidades como reféns do tráfico. As organizações criminosas utilizam a rede de rios que compõe a rota do Solimões para escoar cocaína produzida no Peru, na Colômbia e na Bolívia em direção a Manaus e, posteriormente, ao mercado internacional na Europa.
Embora a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) coordene esforços entre oito países, a eficácia do combate às atividades ilícitas, como garimpo e narcotráfico, ainda esbarra na fragmentação das políticas de segurança. O povo ashaninka, que transita entre o Acre e os Andes, exige que Brasil e Peru cumpram seus deveres constitucionais e internacionais de garantir a integridade de seus territórios frente ao avanço do crime organizado.
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