MÚSICA CONTRA OPRESSÃO

Como o K-pop desafia o silêncio na ditadura da Coreia do Norte

Membros do grupo de K-pop BTS posam para divulgação de álbum
O álbum mais recente da banda de K-pop BTS foi lançado este ano e se chama ARIRANG — Foto: HYBE/Big Hit Music via BBC

Desertores revelam como o ritmo sul-coreano atravessa fronteiras vigiadas e transforma a percepção de liberdade sob o regime de Kim Jong-un.

A capacidade de escolher o que ouvir tornou-se um símbolo máximo de liberdade para Lee Yeon-su, uma desertora que hoje celebra o direito de apoiar livremente o BTS. O relato de sua experiência no Sul, onde a vivência cultural é uma decisão individual, contrasta drasticamente com a realidade que deixou para trás no Norte. Em um sábado ensolarado de junho, Lee Yeon-su compartilhou como a música se transformou em uma janela inesperada para o mundo exterior, mesmo sob a vigilância extrema do chamado Reino Eremita. Enquanto no Norte o regime impõe o medo e a lealdade exclusiva a um único ídolo, a chegada clandestina de ritmos como Fire e Mic Drop ofereceu aos jovens uma nova perspectiva de identidade e diversão. Para muitos norte-coreanos, o acesso ao K-pop ocorre através de cartões SD e antenas que captam sinais do vizinho sul-coreano. Mesmo sob risco de prisão, nomes como BTS, Blackpink e Girls' Generation permearam a cultura popular, com o termo Bangtan tornando-se parte do cotidiano, referenciando a influência duradoura do septeto sul-coreano. O impacto vai além da melodia. Desertores como Kang Gyu-ri relatam que músicas como Dynamite foram essenciais para vislumbrar uma humanidade comum, diferente da retórica estatal. A descoberta de temas como o amor e a expressão individual, ausentes nas canções de propaganda oficial, serviu como um despertar para a diversidade cultural que o regime tenta, sem sucesso, suprimir. O perigo, contudo, permanece constante. O consumo desses conteúdos ainda é considerado um crime severo, punível com detenção. Apesar disso, a resistência cultural persiste, mantendo viva a conexão entre os dois lados da fronteira através da força contagiante de artistas que o regime não consegue silenciar totalmente.

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