AGRO NEGÓCIOS GANHA FORÇA
Porto de Natal habilitado para exportação de animais vivos; RN pode movimentar até R$ 2 bilhões
Decisão do Ministério da Agricultura abre nova frente para o RN, que já prepara a primeira exportação para o Líbano, estimada em R$ 2 bilhões para a economia estadual. O Estado busca 15% do mercado internacional.
A habilitação do Porto de Natal para a exportação de animais vivos representa uma nova e promissora frente de negócios para o agronegócio do Rio Grande do Norte. A medida, que pode injetar até R$ 2 bilhões na economia estadual nos próximos anos, foi anunciada pelo secretário estadual de Agricultura, Pecuária e Pesca, Guilherme Saldanha. Ele destacou que a autorização, concedida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), é uma das mais significativas oportunidades recentes para a expansão da atividade agropecuária potiguar.
Em entrevista à rádio Jovem Pan News Natal, Saldanha explicou que o Estado possui vantagens logísticas e geográficas essenciais para se tornar um novo polo exportador no mercado internacional de animais vivos, com foco especial nos países árabes. Segundo o secretário, o Rio Grande do Norte oferece proximidade aos principais destinos internacionais, o que resulta na redução de custos operacionais e no aumento da competitividade do setor.

“O Rio Grande do Norte é a esquina do mundo. A vantagem competitiva é espetacular”, afirmou Saldanha, ressaltando que o Porto de Natal será o primeiro no Nordeste a realizar exportação de gado vivo na era moderna. Ele enfatizou que navios que atualmente percorrem longas distâncias até portos no Pará, São Paulo ou Rio Grande do Sul poderão economizar dias de viagem ao operar em Natal.

Atualmente, o Pará lidera as exportações brasileiras de animais vivos, respondendo por cerca de 70% do mercado, seguido pelo Rio Grande do Sul e São Paulo. A localização estratégica do litoral potiguar, segundo Saldanha, representa um diferencial relevante para armadores e importadores. O Rio Grande do Norte está até três dias de viagem mais próximo dos destinos em comparação com o Pará, e significativamente mais perto do que São Paulo ou Rio Grande do Sul.
Adicionalmente, as características operacionais do Porto de Natal foram apontadas como fator decisivo. Inserido no estuário do Rio Potengi, o porto oferece maior estabilidade para as operações de embarque de animais em comparação com terminais em mar aberto. Essa proteção natural reduz riscos logísticos e aumenta a segurança das operações. “É um porto calmo para embarcar e desembarcar. O navio fica protegido dentro do rio. Isso facilita muito uma operação com animais vivos”, explicou o secretário. Ele também mencionou que a estrutura portuária possui capacidade ociosa, ideal para absorver essa nova atividade, que complementará a exportação de frutas.
A autorização do Mapa foi formalizada após inspeções detalhadas do Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), que confirmou o cumprimento de todas as exigências sanitárias, estruturais e operacionais para o transporte internacional de animais. Com a habilitação, o Porto de Natal está apto a realizar embarques de bovinos, ovinos, equinos e suínos.
A expectativa do governo estadual é que a primeira operação ocorra nas próximas semanas, com um carregamento piloto de aproximadamente 3.300 bovinos com destino ao Líbano. O Rio Grande do Norte conta atualmente com duas Estações de Pré-Embarque (EPEs) credenciadas pelo Ministério da Agricultura, localizadas em Alto do Rodrigues e São Gonçalo do Amarante.
A preparação para viabilizar essas exportações iniciou-se há cerca de dois anos. Em 2024, durante a Festa do Boi, importadores internacionais foram convidados a conhecer o potencial da pecuária potiguar. Desde então, o governo trabalhou ativamente para superar as exigências sanitárias e operacionais requeridas pelo mercado internacional, conforme detalhou Saldanha: “Há mais de dois anos a gente vem estudando e conhecendo esse negócio. A última barreira que faltava era o Porto de Natal habilitado para exportação de gado vivo”. O processo envolveu negociações com o setor privado, órgãos federais e autoridades sanitárias.
A demanda internacional é impulsionada principalmente por países do Oriente Médio, onde questões religiosas moldam o consumo de proteína animal. Parte dos compradores prefere importar os animais vivos para realizar o abate local, seguindo os rituais exigidos pela certificação halal, fundamental para mercados muçulmanos. “O Brasil é o maior exportador de proteína animal do mundo, mas existe um mercado que prefere realizar o abate localmente por questões religiosas. É esse mercado que estamos buscando atender”, explicou o secretário.
Estimativas indicam que o mercado brasileiro de exportação de animais vivos movimentou entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões em 2025, com projeção de crescimento de cerca de 40% para 2026, ano em que o país deverá exportar aproximadamente 1,8 milhão de cabeças de gado. O governo potiguar almeja capturar 15% desse mercado, o que representa um potencial de R$ 2 bilhões para a economia do Rio Grande do Norte.
Os impactos econômicos se estendem para além da venda dos animais. A atividade gera demanda em serviços de transporte, alimentação, assistência veterinária, logística, armazenamento e infraestrutura de quarentena, beneficiando diversos segmentos produtivos. “Não é só o boi. Tem alimentação, tem transporte, tem mão de obra, tem estrutura. É uma cadeia inteira que se forma ao redor dessa atividade”, ressaltou Saldanha. Empresários locais e investidores já demonstram interesse em expandir estruturas de pré-embarque e confinamento.
A Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec) considera a habilitação um marco para a diversificação econômica do Estado. Em nota, o secretário-adjunto Hugo Fonseca destacou que o credenciamento fortalece a cadeia produtiva da agropecuária, amplia oportunidades para produtores e prestadores de serviço, e posiciona o Rio Grande do Norte em uma rota estratégica do comércio internacional. "Essa habilitação coloca o Rio Grande do Norte em uma posição estratégica dentro da rota internacional do agronegócio e reforça o potencial do Nordeste como fornecedor de produtos agropecuários para mercados globais", afirmou.
A expectativa é que essa nova atividade impulsione a movimentação do Porto de Natal, gere empregos e atraia investimentos para a pecuária e os serviços associados, consolidando uma nova e importante fonte de receitas para a economia potiguar.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário