TRANSFORMACAO DEMOGRAFICA ACELERADA

População idosa na China cresce 100 milhões em uma década

Idosos reunidos em uma praça na cidade de Xiamen jogando cartas
Na imagem, idosos jogando cartas em Xiamen

Até o final de 2025, o país registrou 323,4 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, representando 23% do total da população nacional.

A China enfrenta uma aceleração sem precedentes em sua transição demográfica, com um aumento de mais de 100 milhões de idosos nos últimos dez anos. O dado, que reforça o desafio para a sustentabilidade da economia e da previdência, foi divulgado na 6ª feira (31.jul.2026) pelo Ministério de Assuntos Civis e pelo Escritório da Comissão Nacional de Trabalho sobre Envelhecimento.

Até o final de 2025, a China contava com 323,4 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o que equivale a 23% de toda a sua população. O salto é expressivo quando comparado ao cenário de 2015, quando o país contabilizava 220 milhões de idosos. A mudança consolida o status da nação como uma sociedade em envelhecimento moderado, patamar atingido no final de 2023.

Essa nova realidade demográfica impacta diretamente a dignidade do suporte oferecido aos cidadãos e a pressão sobre a força de trabalho ativa. Com a taxa de dependência de idosos com 65 anos ou mais subindo para 23,1%, o equilíbrio entre a parcela economicamente ativa e os que necessitam de cuidados torna-se mais estreito. Atualmente, estima-se que existam cerca de 4,3 adultos em idade de trabalho para cada idoso.

O desafio também se reflete na infraestrutura de assistência. Embora o país conte com 395 mil instalações de cuidados para idosos, com um total de 7,68 milhões de leitos, a capacidade instalada ainda não atingiu as metas estabelecidas no 14º Plano Quinquenal, que projetava um número superior a 9 milhões de leitos até 2025. A redução recente na oferta de leitos, aliada à queda nas taxas de natalidade, coloca em xeque o modelo tradicional de cuidado baseado no núcleo familiar.

Especialistas e pesquisadores alertam para a necessidade de Pequim fortalecer o sistema formal de assistência. Projeções do Conselho de Estado indicam que, até 2035, a população com mais de 60 anos deverá atingir 420 milhões, configurando um envelhecimento populacional acentuado que exigirá reformas estruturais profundas.

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