DISPUTA COMERCIAL GLOBAL

Ocidente busca frear a ascensão industrial chinesa que ajudou a construir

Bandeiras da China, União Europeia e Estados Unidos lado a lado representando o embate comercial global.
Imagem gerada por inteligência artificial de Bandeiras da China, UE e EUA.

Após décadas de abertura econômica que fortaleceram a China, Europa e EUA tentam agora conter a hegemonia de Pequim por meio de tarifas e protecionismo.

A estratégia econômica adotada pelas potências ocidentais enfrenta um desafio histórico diante do protagonismo consolidado da China. Em dezembro de 1978, o então líder de fato do país, Deng Xiaoping, iniciou um processo de Reforma e Abertura sob a tutela do Partido Comunista da China, que transformou a nação na segunda maior economia do planeta ao atrair massivamente capital estrangeiro e tecnologia.

A transição, que impulsionou o desenvolvimento chinês, teve um marco definitivo na 3ª feira (28.jul.2026), quando o Ministério do Comércio da China rebateu formalmente acusações ocidentais de que o país estaria exportando seu "excesso de capacidade" industrial através de subsídios predatórios. A importância deste embate reside no futuro da soberania industrial da Europa e dos EUA, que lutam para manter a competitividade enquanto a China consolida sua autonomia tecnológica.

Para o professor Wang Dong, diretor executivo do Instituto para a Cooperação e Compreensão Global da Universidade de Pequim, o protecionismo europeu é uma solução de curto prazo que ignora dificuldades estruturais internas. Segundo o especialista, o sucesso chinês não é fruto de uma mera estratégia geopolítica agressiva, mas de décadas de investimentos contínuos em infraestrutura e inovação. "Recorrer a medidas protecionistas aumenta os custos para os fabricantes europeus e prejudica a cooperação industrial sino-europeia", afirmou ao Poder360.

O cenário é crítico especialmente para a União Europeia, que apresenta estagnação nos investimentos em P&D, enquanto os EUA seguem liderando os aportes globais, com 3,4% do seu PIB voltado ao setor, conforme dados do Our World in Data. A tentativa de retomar o controle, por meio de nacionalizações de empresas como a British Steel e a Nexperia, reflete um temor crescente sobre a segurança nacional.

Enquanto o mundo observa a disputa, a China aposta na "estratégia de dupla circulação", lançada em 2020 sob a gestão de Xi Jinping, para ampliar o consumo interno e reduzir a dependência de choques externos. O impacto dessa transição redefine a dignidade e a sobrevivência de milhares de trabalhadores industriais que, no Ocidente, veem suas fábricas perderem terreno para modelos mais eficientes e autônomos vindos do Oriente.

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