SUPERINTENDENTE EM APURAÇÃO
Polícia Rodoviária Federal apura se superintendente usou cargo para vender cursos
Wermeson Mario Pestana, que comanda a PRF no Espírito Santo, é investigado por supostamente usar visibilidade institucional para promover atividades particulares de ensino.
A conduta do superintendente da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Espírito Santo, Wermeson Mario Pestana, conhecida nas redes sociais como “Jhonson Pestana”, está sob análise do setor correicional da corporação. A investigação apura a suspeita de que ele teria se valido de sua visibilidade como líder da PRF para divulgar cursos particulares sobre legislação de trânsito. A informação foi confirmada pela própria PRF nesta terça-feira, 02/06/2026.
Denúncias indicam que Pestana utilizava o mesmo perfil pessoal em redes sociais para, em paralelo, divulgar ações oficiais da PRF e promover seus cursos preparatórios para concursos. Em 12 de outubro de 2025, uma foto do superintendente em um evento público ao lado do ex-governador Renato Casagrande (PSB) foi divulgada.
O caso remonta a fevereiro de 2023, quando o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) analisou um recurso que questionava a atuação de Wermeson Pestana em atividades de magistério e na divulgação de conteúdo online. Na ocasião, a Corte derrubou uma liminar que impedia a PRF de investigar administrativamente a conduta do servidor.
A União argumentou no processo que a carreira de policial rodoviário federal exige dedicação integral e exclusiva. Por outro lado, o policial defendeu que suas atividades particulares eram de natureza intelectual, realizadas fora do horário de expediente e sem impacto em suas obrigações na corporação. Naquele momento, o desembargador responsável entendeu que o Judiciário não deveria impedir a apuração pela administração pública, considerando que faltavam elementos suficientes para tal restrição.
Trajetória Profissional
Wermeson Mario Pestana atua como policial rodoviário federal desde 2016. Sua trajetória inclui passagens pela superintendência regional de Rondônia, onde trabalhou em atividades operacionais em Porto Velho (RO), Humaitá (AM) e na fronteira com a Bolívia. Ele também integrou o Grupo de Educação de Trânsito (GETRAN) e a Base Descentralizada de Comunicação (BDCOM) em Rondônia, além de participar de ações ligadas a Grupos de Direitos Humanos no combate ao trabalho análogo à escravidão.
Em 2020, foi transferido para a superintendência da PRF no Espírito Santo, seu estado natal, atuando no Grupo de Fiscalização de Trânsito e Transporte (GFT) na Delegacia de Linhas. Em 2022, concluiu o Curso Avançado de Fiscalização de Trânsito (CAFTI). No ano seguinte, em 2023, foi designado para comandar a Superintendência da PRF no Espírito Santo, com posse formalizada pelo Diretor-Geral da PRF, Antônio Fernando.
Posição da PRF
Em resposta, a Polícia Rodoviária Federal informou que os fatos estão sendo analisados internamente. "A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informa que os fatos mencionados no questionamento são de conhecimento da administração e objeto de análise pelo setor correicional da PRF", declarou a corporação. A instituição ressaltou que, devido ao sigilo dos procedimentos correicionais, não divulga informações sobre apurações em andamento. A PRF também enfatizou que denúncias sobre possíveis irregularidades de servidores devem ser encaminhadas à Corregedoria por meio dos canais oficiais, como a plataforma Fala.BR.
O policial Wermeson Mario Pestana foi contatado, mas não se manifestou até a última atualização desta reportagem.
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