REVIRAVOLTA NO CRIME

PM presa passa de vítima a principal suspeita pela morte de soldado em Fortaleza

Foto da soldado Júlia Natália Girão Gomes, suspeita de envolvimento na morte do soldado Raphael Sampaio da Silva.
A soldado Júlia Natália Girão Gomes passou de vítima a principal suspeita pela morte do colega de farda.

Policiais civis detiveram a militar após imagens desmentirem a versão de sequestro; advogado da suspeita também foi conduzido por tentar entregar celular em delegacia.

A investigação da morte do soldado Raphael Sampaio da Silva tomou um rumo inesperado nesta terça-feira (11), quando a colega de farda da vítima, a soldado Júlia Natália Girão Gomes, passou da condição de sobrevivente de um suposto sequestro para a de principal suspeita do homicídio. A decisão pela prisão foi tomada pela autoridade policial após diligências apontarem contradições profundas na dinâmica dos fatos apresentada pela investigada.

Inicialmente, a militar afirmou ter sido sequestrada após pegar uma carona com a vítima durante a madrugada. Segundo seu relato, criminosos teriam assassinado Raphael e a mantido em cárcere privado em um matagal. Contudo, imagens de câmeras de segurança desmentiram a versão: a policial foi flagrada na oficina do marido e, posteriormente, levando a filha à escola no horário em que alegava estar amarrada por sequestradores.

Diante das provas coletadas, a autoridade policial deu voz de prisão à soldado. O caso agora segue sob apuração rigorosa, enquanto a defesa de Júlia, em novos depoimentos, optou por exercer o direito ao silêncio e demandou a presença de advogado.

O cenário jurídico do caso ganhou contornos adicionais nesta sexta-feira (14). O advogado Walmir Medeiros foi detido em flagrante ao tentar entregar um aparelho celular à cliente dentro da unidade prisional. Embora o profissional negue a intenção de favorecimento e alegue ter esquecido o aparelho sobre a mesa, ele foi conduzido à Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) e assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência por crime contra a administração pública.

A Associação dos Profissionais da Segurança (APS) informou que o advogado foi afastado de suas funções, enquanto a OAB-CE destacou que acompanha o caso, ressaltando que não compactua com condutas incompatíveis com a ética profissional. A soldado, que já possuía antecedentes por estelionato e organização criminosa, permanece à disposição da Justiça.

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