DESIGUALDADE NO ENSINO
A falta de saneamento básico compromete o desempenho escolar no Acre
Estudo revela que estudantes sem banheiro em casa alcançam médias significativamente menores no Enem. Governo estadual e capital planejam expansão da rede.
A precariedade do acesso ao saneamento básico impacta diretamente o rendimento acadêmico dos estudantes acreanos. Um levantamento do Instituto Trata Brasil demonstrou que alunos residentes em moradias sem banheiro de uso exclusivo obtiveram uma média de 426,66 pontos no Enem 2024, enquanto aqueles com acesso ao compartimento atingiram 557,83 pontos, uma disparidade de 23,5%.
O estudo, que utilizou dados do Inep, aponta que a privação de água tratada e da coleta de esgoto expõe crianças e adolescentes a riscos de saúde que comprometem a frequência e a performance escolar. Este ciclo de privação reflete-se na redação: estudantes com banheiro em casa superaram os demais em quase 200 pontos.
Os dados, compilados no relatório "Benefícios econômicos da expansão do saneamento básico no Acre", revelam ainda que a ausência de infraestrutura básica na região Norte resulta em um atraso escolar médio de 2,4 anos. No estado, a falta de água encanada está associada a uma escolaridade 15,5% menor.
Em resposta à crise, o Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb) informou que prepara uma licitação para ampliar a rede de esgotamento, projetando atingir 55% de tratamento até 2027. Paralelamente, o Saneacre declarou estar em negociação com o governo Federal para investimentos de R$ 64 milhões, além de elaborar projetos executivos de saneamento para cidades como Cruzeiro do Sul.
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