FRAUDE MILIONÁRIA

Polícia prende influencers por esquema do "tigrinho" em Roraima

Foto de influenciadores digitais, como Adrielly Araújo, ostentando em redes sociais, envolvidos em esquema de pirâmide de 'jogo do tigrinho' e investigados pela Polícia Civil de Roraima.
Influenciadores digitais investigados na operação contra o 'jogo do tigrinho' exibiam vida de luxo. — Foto: Reprodução/Instagram

Operação desvenda fraude de R$ 260 milhões com ostentação e falsa promessa de lucro. Prisões preventivas ocorreram nesta segunda, 27 de abril de 2026.

A Polícia Civil de Roraima realizou nesta segunda-feira, 27 de abril de 2026, a prisão preventiva de oito influenciadores digitais e seus parceiros, apontados como peças centrais em um sofisticado esquema de fraude ligado ao popular "jogo do tigrinho". A operação desvendou a impressionante movimentação de R$ 260 milhões em apenas dois anos, um valor que sublinha a magnitude da exploração da esperança de ganhos fáceis de milhares de seguidores. Atraídos por uma ostentação de luxo e sucesso fabricada nas redes sociais, muitos desses seguidores foram enganados e viram suas economias esvaírem, enquanto os investigados desfrutavam de uma vida de aparências. Esta ação policial reforça o compromisso das autoridades com a justiça e a proteção dos cidadãos contra golpes digitais, impactando diretamente a confiança da sociedade na integridade do ambiente online e na responsabilidade dos formadores de opinião.

O grupo, composto por Raniely Carvalho, Gildázio Cardoso, Laís Ramos, Patrik Adhan, Amanda Faria, Vitória Reis, Adrielly Araújo e Dione Santos (marido de Adrielly), foi alvo da Polícia Civil de Roraima. Segundo as investigações, o estilo de vida opulento – com procedimentos estéticos caros, viagens internacionais, carros de alto valor e a construção de imóveis de luxo – era uma estratégia deliberada para atrair e iludir seguidores. A narrativa era de enriquecimento fácil e rápido através do "jogo do tigrinho", um engodo que mascarava perdas reais para as vítimas.

A polícia revelou que os influenciadores utilizavam versões de demonstração do jogo, programadas para sempre resultar em vitória. Ao postar vídeos com esses "ganhos", eles criavam uma ilusão potente de lucros descomplicados, levando os seguidores a acreditar que poderiam replicar o mesmo sucesso. Contudo, a realidade era brutalmente diferente, com depoimentos de usuários que, após apostarem quantias significativas, não conseguiam sacar o dinheiro prometido.

Adrielly Araújo, de 29 anos, uma das figuras centrais e detida na operação, gerencia três contas no Instagram com quase 190 mil seguidores. Desde agosto de 2023, ela promovia jogos de azar, chegando a compartilhar um suposto ganho de R$ 102.144 na plataforma do "tigrinho" em dezembro do mesmo ano, atribuindo-o a uma "bênção" divina. Apesar de se autodeclarar "justa e transparente", a investigação aponta para um padrão de engodo, onde ela exibia uma rotina de luxo para atrair apostadores. O relatório da Polícia Civil destaca que Adrielly movimentou cerca de R$ 3,5 milhões em 2023, um valor que saltou para R$ 144 milhões no ano seguinte, quantia considerada "astronômica". Com cinco imóveis, um estabelecimento comercial e um carro em seu nome, avaliados em mais de R$ 1 milhão, a influenciadora surpreende ainda mais ao constar como beneficiária do programa social Bolsa Família, um fato que ressalta a complexidade e a contradição de sua imagem pública. Seu marido, Dione Santos, de 37 anos, movimentou quase R$ 40 milhões no mesmo período, possuindo quatro veículos e três imóveis.

Outra investigada e presa, Raniely Carvalho, de 39 anos, conhecida como a "00 de Roraima", acumulava mais de 250 mil seguidores e ostentava uma BMW 320i e uma caminhonete, ambos veículos de luxo. Entre 2023 e 2024, Raniely movimentou mais de R$ 8 milhões. Ela compartilhava viagens a destinos internacionais como Dubai, China e Ibiza, e foi alvo de denúncias anônimas que alertavam sobre o enriquecimento ilícito e a forma como "iludia as pessoas" para apostarem no "tigrinho".

Patrik Adhan, de 27 anos, viu seu número de seguidores no Instagram saltar de 10 mil em 2019 para mais de 600 mil em 2026, somando cerca de 1,3 milhão com sua conta no TikTok. Seu patrimônio também cresceu vertiginosamente, com movimentações bancárias de R$ 193.813,11 em 2023, ultrapassando R$ 1 milhão em 2024, totalizando mais de R$ 3 milhões sob investigação. Esses valores são flagrantemente incompatíveis com sua renda declarada de R$ 31 mil em 2022 e R$ 180 mil em 2023, sem vínculo empregatício em 2024. A transferência de um carro de R$ 280 mil para sua empresa foi interpretada pela Polícia Civil como uma "tentativa de mascarar a verdadeira propriedade e dissimular a origem ilícita do bem".

Amanda Faria, de 28 anos, também detida, promovia viagens luxuosas a destinos como Dubai, Punta Cana e Colômbia. Em suas publicações, ela celebrava o "sucesso" e "luxo" como resultado de "priorizar quem você é". Com três veículos avaliados em R$ 270 mil, Amanda movimentou mais de R$ 2 milhões entre 2023 e 2024, evidenciando uma rápida evolução patrimonial, atribuída aos recursos do "jogo do tigrinho".

Laís Ramos, com 179 mil seguidores, é dona de dois carros avaliados em R$ 291 mil e movimentou mais de R$ 2 milhões. Suas redes sociais exibiam viagens para destinos como Gramado e Chile, fotos em jetski e procedimentos estéticos, com publicações que a mostravam "cansada, feliz e tentando" – uma fachada para os ganhos ilícitos.

Vitória Reis, embora com uma presença mais tímida nas redes sociais (quase 6 mil seguidores no Instagram), movimentou mais de R$ 800 mil em suas contas bancárias. Ela possuía um carro avaliado em R$ 198 mil e uma moto de R$ 17 mil, focando seu conteúdo em estilo de vida e fitness.

Gildázio Cardoso, de 25 anos, conhecido como "Mulherzona de Roraima", foi preso em Goiás. Ele movimentou pouco mais de R$ 134 mil e, apesar de não ter bens registrados formalmente, exibia um padrão de vida elevado, com participações em shows e viagens luxuosas, incluindo o Carnaval de Salvador em camarotes VIP.

Além dos nomes já citados, a Polícia Civil também cumpriu mandados de busca e apreensão contra Victoria Paixão Barros (influencer com 44,3 mil seguidores), Juliana Lima do Nascimento (esteticista com mais de 27,7 mil seguidores) e Ruissian Ferreira Braga Ribeiro (empresário dono de uma loja de carros e com 29,8 mil seguidores). Ruissian, que teve uma BMW 320i associada a Raniely Carvalho, foi detido por posse irregular de munição, sendo solto após pagar fiança de mais de R$ 48 mil, e sua empresa, Ruissian Comércio de Veículos LTDA, também foi alvo da investigação.

As prisões, que são de caráter preventivo, buscam desmantelar de forma eficaz esse complexo esquema de fraude. A investigação continua para apurar todas as ramificações e garantir que os responsáveis sejam devidamente punidos, e que a justiça seja feita para as vítimas que foram lesadas pela promessa de dinheiro fácil.

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