FALHA CUMPLICITÁRIA

Polícia Penal falha e família de detento só descobre morte após dois meses no RN

Polícia Penal falha e família de detento só descobre morte após dois meses no RN

José Leonardo da Silva foi assassinado em 3 de março de 2026 na Cadeia Pública de Nova Cruz; corpo permaneceu no IML de Natal por quase dois meses sem aviso.

A negligência na comunicação do sistema prisional do Rio Grande do Norte expôs uma grave falha humanitária nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026, quando a família de José Leonardo da Silva, de 39 anos, descobriu a morte do detento ocorrida em 3 de março de 2026. Por quase dois meses, o corpo de Silva permaneceu no Instituto Médico Legal (IML) em Natal sem que os parentes fossem notificados, levantando sérios questionamentos sobre a dignidade do indivíduo e a responsabilidade do Estado. A Polícia Penal justificou a omissão alegando falta de contatos registrados, mas a família contesta veementemente a versão oficial.

Segundo o atestado de óbito, José Leonardo foi vítima de homicídio após uma briga corporal com outro interno na Cadeia Pública de Nova Cruz. A tragédia se agravou pela demora absurda na comunicação: durante 57 dias, o corpo do detento ficou no IML da Polícia Científica, em Natal, como um "desconhecido" para o sistema, privando a família do direito básico de saber e iniciar o luto.

A dor da espera se transformou em choque. A mãe de José Leonardo, em 6 de março de 2026, três dias após a morte do filho, procurou notícias na Penitenciária de Alcaçuz. Lá, recebeu a informação vaga de que ele havia sido transferido para Nova Cruz, sem qualquer menção ao seu falecimento. Sem desconfiar da verdadeira extensão da tragédia, ela voltou para casa, no bairro Felipe Camarão, e esperou por um contato oficial que nunca chegou.

A advogada da família, Rayane Karine, confirmou que a Delegacia de Nova Cruz já instaurou um procedimento investigativo. A apuração visa esclarecer não apenas as circunstâncias do assassinato de José Leonardo, mas também a grave falha na notificação aos seus familiares.

Em nota oficial, a Polícia Penal tentou justificar o longo silêncio, alegando que o detento não havia registrado contatos de familiares ou advogados em seu prontuário. A corporação afirmou que o único visitante cadastrado possuía um contato inválido e que as tentativas de localização fracassaram. A instituição assegurou ainda que comunicou o óbito imediatamente à Vara de Execução Penal.

A família, no entanto, rejeita a justificativa da Polícia Penal. Eles cobram rigorosa responsabilização do Estado, questionando como um detento com histórico de visitas e com familiares de endereço fixo pôde permanecer no IML por dois meses sem identificação para o sistema. O caso expõe a crueldade da burocracia e a falta de sensibilidade diante de uma vida perdida.

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