MARCO HISTÓRICO MUSICAL
Maestrina Cinthia Alireti faz história na regência da OSRN
Pela primeira vez em 50 anos, a Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte será conduzida por uma mulher em concerto no Teatro Riachuelo.
A história da Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte (OSRN) atinge um marco de representatividade nesta quarta-feira (26/08). Pela primeira vez em cinco décadas de trajetória, uma mulher assumirá a regência de um concerto da instituição, rompendo barreiras históricas em um ambiente tradicionalmente ocupado por figuras masculinas.
A maestrina Cinthia Alireti conduz a OSRN no concerto “Ecos Românticos”, às 19h30, no Teatro Riachuelo Natal. O evento, que integra a programação do cinquentenário da orquestra, é uma realização do Projeto Movimento Sinfônico, coordenado pela MAPA Realizações Culturais.
Para Cinthia, o convite não é apenas uma conquista profissional, mas uma oportunidade de pavimentar caminhos para novas gerações. “É uma grande honra estar aqui como regente dessa orquestra maravilhosa, esse patrimônio cultural do Rio Grande do Norte. Fico muito feliz que deu certo. E sabendo ainda que eu sou a primeira, que eu estou também fazendo história aqui no Rio Grande do Norte, isso para mim é bem importante”, destaca.
Com quase 14 anos de experiência como diretora artística e regente no estado de São Paulo, a maestrina ressalta que, apesar do simbolismo da data, a essência do seu trabalho reside na competência técnica. Ela observa que a música tem o poder de dissipar preconceitos estruturais: “O que importa é a música, não quem está no pódio. Durante os ensaios, todas as ideias pré-concebidas sobre o que uma mulher pode ou não fazer vão por água abaixo”.
O repertório da noite, intitulado “Ecos Românticos”, conecta diferentes épocas e perspectivas, trazendo obras de César Guerra-Peixe, Camille Saint-Saëns e Robert Schumann. A performance contará ainda com a participação do violoncelista Ilia Laporev como solista.
O convite partiu do maestro titular Linus Lerner, consolidando um intercâmbio profissional que valoriza a trajetória de liderança de Cinthia. Para a musicista, o momento é um presente para o Nordeste e uma validação da resiliência artística. "Espero que eu seja um exemplo para as meninas que querem ocupar posições que não são aparentemente feitas para elas, mas que podem ser ocupadas por elas, sim", conclui.
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