NEGOCIAÇÃO DE DELAÇÃO
Polícia Federal rejeita delação de ex-banqueiro Daniel Vorcaro, mas negociações com a PGR avançam
Apesar da recusa da PF por informações insuficientes, a Procuradoria-Geral da República indicou interesse em seguir com o acordo. Pontos como valores e alcance político ainda travam o avanço.
A Polícia Federal rejeitou, na quinta-feira, 21 de maio de 2026, a proposta de delação premiada apresentada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão da corporação se baseou na percepção de que o ex-banqueiro não ofereceu informações novas e relevantes para as investigações sobre fraudes financeiras que envolvem o Banco Master, nas quais ele está preso desde 4 de março. A recusa da PF, no entanto, não encerra as tratativas, pois a Procuradoria-Geral da República (PGR) demonstrou interesse em avançar com um acordo de colaboração.
Apesar do revés com a Polícia Federal, a defesa de Daniel Vorcaro manteve a linha de negociação com a PGR, que avaliou positivamente a possibilidade de prosseguir com as conversas durante uma reunião realizada em Brasília, na mesma quinta-feira (21/05/2026). A continuidade das tratativas indica a persistência de um interesse mútuo, ainda que pontos cruciais precisem ser alinhados para que um acordo seja firmado e tenha seu impacto efetivo.
Os principais entraves para a consolidação do acordo giram em torno de três eixos: os valores que o ex-banqueiro precisaria ressarcir, estimados em aproximadamente R$ 50 bilhões; o regime de cumprimento de pena pretendido, com o ex-banqueiro buscando prisão domiciliar; e o potencial alcance político das informações que ele detém. Esses elementos são determinantes para a definição dos termos finais e para a relevância da colaboração.
Investigadores consideram que Daniel Vorcaro possui informações capazes de implicar autoridades do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF). Contudo, há uma percepção de receio quanto a resistências políticas e institucionais que podem surgir diante da amplitude das revelações, o que adiciona uma camada de complexidade às negociações.
Pontos de omissão destacados pela PF pesaram contra a proposta inicial de delação. A ausência de detalhes sobre o suposto envolvimento do senador Ciro Nogueira no recebimento de vantagens indevidas, relacionadas à ampliação da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), foi citada. Da mesma forma, a PF apontou a falta de informações sobre a relação de Vorcaro com o senador Flávio Bolsonaro.
O caso ganha contornos ainda mais relevantes com a divulgação recente pelo Intercept Brasil de mensagens e áudios que detalham negociações para o financiamento do filme “Dark Horse”, ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, com repasses que podem ter chegado a R$ 61 milhões, de um total de R$ 134 milhões. Essas informações reforçam o potencial de Vorcaro em trazer à tona conexões de alto impacto.
A transferência de Daniel Vorcaro para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, na segunda-feira, 18 de maio de 2026, foi interpretada como um indicativo do desgaste nas relações entre o ex-banqueiro e a corporação. Essa medida reforça a percepção de que a PF considera a colaboração apresentada até o momento insuficiente e seletiva.
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