OPERAÇÃO CONTRA LAVAGEM
Polícia Federal mira grupo sancionado pelos EUA e prende secretária; três seguem foragidos
Operação Exchange identificou organização criminosa ligada ao PCC. Sanções dos EUA anteciparam ação da PF, que busca três foragidos.
{"blocks":[{"type":"paragraph","data":{"text":"A Polícia Federal deflagrou a Operação Exchange nesta sexta-feira, 3 de maio de 2024, com o objetivo de desmantelar uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas. Dos 11 mandados de prisão temporária expedidos, três indivíduos continuam foragidos: Victor Henrique de Oliveira Shimada, Romany Cutolo Bonente (conhecido como "Roma") e Diego Lameiro Diz. A decisão de antecipar a operação foi motivada pelas sanções impostas pelos Estados Unidos a pessoas e empresas brasileiras na última quarta-feira, 1º de maio de 2024, por suspeita de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Essa ação ressalta a gravidade da cooperação internacional no combate ao crime organizado e a importância de desarticular redes financeiras ilícitas que impactam a segurança global."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Victor Shimada é apontado como líder do esquema de lavagem de dinheiro investigado e já foi alvo de sanções dos EUA por suspeita de envolvimento com o PCC. Segundo o governo americano, ele seria um "elo-chave entre membros do PCC na Flórida e traficantes internacionais", tendo lavado mais de US$ 30 milhões (cerca de R$ 156 milhões) em recursos ilícitos. Romany Cutolo Bonente, advogado, é acusado de atuar como operador financeiro, intermediando pagamentos e gerenciando conflitos para o grupo. Diego Lameiro Diz teria oferecido suporte à lavagem de dinheiro através da criação de empresas de fachada nos Estados Unidos e no Brasil."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"A sanção dos Estados Unidos, imposta em 1º de maio de 2024, foi determinante para que a Polícia Federal antecipasse a Operação Exchange. "Essa sanção dos Estados Unidos imposta na última quarta-feira a pessoas e empresas brasileiras fez os policiais da corporação anteciparem a Operação Exchange", explicou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. A operação visa desarticular uma rede que utiliza criptomoedas e empresas de fachada para movimentar recursos ilícitos do PCC."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Victor Shimada, empresário, também é investigado no Brasil por suspeita de participação em operações de lavagem de dinheiro relacionadas ao caso VaideBet, que apura desvios de recursos do contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas. A Justiça determinou a prisão temporária de Shimada por suspeita de lavar dinheiro para o PCC. Seu apelido na organização seria "o Japa", enquanto sua secretária, Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, alvo também das sanções americanas, usava o codinome "Lara Croft"."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Romany Cutolo Bonente ("Roma"), advogado, é apontado pela PF como operador financeiro e intermediário de alto nível entre Shimada e integrantes de organizações criminosas. A investigação o credita também à gestão de conflitos financeiros do grupo. Em um áudio citado na decisão judicial, Romany menciona a necessidade de enviar R$ 100 mil ao delegado Fábio Caipira, do Deic, em relação a cobranças do esquema."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Diego Lameiro Diz é acusado de ser operador financeiro e de dar suporte à lavagem de dinheiro por meio da constituição de empresas de fachada nos EUA e no Brasil. A investigação também aponta sua participação na comercialização de alho produzido na Argentina, atividade suspeita de ocultar recursos da organização criminosa."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Ao todo, foram expedidos 11 mandados de prisão temporária, dos quais sete foram cumpridos até o momento da publicação desta matéria. Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, que não possui antecedentes criminais, está entre as presas e foi alvo de sanções americanas por suposta ligação com o PCC. As sanções determinam o bloqueio de bens nos Estados Unidos de pessoas e empresas ligadas aos alvos."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Além das prisões, a operação cumpriu outros 13 mandados de busca em endereços na capital paulista e em cidades do litoral e região metropolitana de São Paulo. Foi determinado judicialmente o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados, totalizando o montante de R$ 10,4 bilhões. As sanções americanas, formalizadas pelo Departamento do Tesouro, classificam o PCC como "maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental", representando uma "ameaça significativa à segurança nacional dos EUA" por utilizar o sistema financeiro americano para lavar dinheiro."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"A defesa de Victor Shimada, representada pelo escritório Marcelo Cruz Advocacia Criminal, informou que ainda não teve acesso às decisões judiciais e aos fundamentos da operação, mas avalia a possibilidade de seu cliente se entregar à polícia. A investigação sobre o caso VaideBet detalha uma movimentação financeira que inclui empresas apontadas como utilizadas para dissimular a origem de recursos, em um fluxo que teria se iniciado após deixarem a conta do Corinthians. O BV (antigo Banco Votorantim) informou ter identificado e comunicado às autoridades movimentações irregulares em seus serviços, colaborando com as investigações."}}]},"version":"2.7.1"}
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