BANCO NA MIRA DA PF

Polícia Federal investiga esquema de gestão fraudulenta no Banco Digimais

Sede do Banco Digimais com símbolo da Polícia Federal.
Investigação da Polícia Federal aponta para práticas ilícitas no Banco Digimais.

A instituição é suspeita de superavaliar ativos para ocultar insolvência, em esquema similar ao do extinto Banco Master. Investigações apontam para a Corretora ID como peça-chave.

{"blocks":[{"type":"paragraph","data":{"text":"A Polícia Federal (PF) investiga o Banco Digimais por um esquema de gestão fraudulenta. As apurações indicam que a instituição teria superavaliado seus ativos para disfarçar sua real situação de insolvência, com o objetivo de enganar investidores, o órgão regulador e o sistema de garantias de crédito. A prática é descrita como análoga à adotada pelo extinto Banco Master, que teve como um de seus sócios o ex-banqueiro Daniel Vorcaro."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"As investigações revelam que o Banco Digimais se expôs a carteiras de crédito do Banco Master, no valor aproximado de R$ 600 milhões. Essa exposição se intensificou a partir de 2023 e 2024, quando o Digimais passou a emitir Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com taxas superiores a 110% do CDI. Após a decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025, a qualidade, o lastro e a regularidade documental dos ativos dessa instituição começaram a ser questionados."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Especialistas ouvidos pela CNN Money explicam que essa manobra financeira visava burlar regras e parâmetros do mercado, como o Índice de Basileia. Este índice é fundamental para aferir a solidez de um banco, comparando seu capital com o volume de dinheiro emprestado. A estratégia consistia em supervalorizar artificialmente ativos adquiridos a baixo custo, criando uma falsa impressão de robustez financeira."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Segundo o economista Ricardo Hammoud, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Banco Digimais recorreu à Corretora ID para administrar seus fundos. Essa intermediação era necessária porque o próprio banco não poderia inflar o valor de seus próprios ativos. A corretora, ao supervalorizar os ativos dentro dos fundos administrados, elevava artificialmente o valor das cotas do Banco Digimais nesses fundos, fazendo com que a instituição apresentasse um patrimônio consideravelmente maior do que o real."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Hammoud também comentou sobre o mecanismo de atração de investimentos por meio de CDBs com retornos muito altos. Embora o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) cubra operações de até R$ 250 mil em caso de liquidação, esses retornos elevados, muitas vezes um sinal de alerta sobre o alto risco, acabam atraindo investidores em busca de ganhos expressivos. Isso se torna um dilema: o FGC garante a liquidez do sistema financeiro, mas, ao mesmo tempo, pode incentivar investimentos em instituições financeiras de maior risco."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Os envolvidos na investigação poderão responder, conforme suas responsabilidades, pelos crimes de gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e realização de operações de crédito vedadas. Tais condutas são previstas na Lei nº 7.492/1986, que dispõe sobre os crimes contra o Sistema Financeiro Nacional."}}]}

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