VERBA PARLAMENTAR NA MIRA
Polícia Federal investiga esquema de aluguel de carros com verba parlamentar
Operação Galho Fraco II apura desvio de recursos públicos em locação de veículos. Decisão partiu do STF e abrange DF, Goiás e Minas Gerais.
A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quarta-feira, 01/07/2026, a terceira fase da Operação Rent a Car, nomeada Galho Fraco II. A ação busca aprofundar as investigações sobre um suposto esquema de desvio de recursos públicos. O foco recai sobre a locação de veículos, supostamente paga com verbas parlamentares, com consequências diretas para a transparência no uso do dinheiro público e a confiança nas instituições.
Por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), policiais federais cumprem medidas judiciais em diversas localidades, incluindo o Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais. As investigações, que ainda não são definitivas e podem ter desdobramentos, apontam indícios da participação de agentes públicos, particulares e empresas. Estes teriam sido utilizados para dar aparência de legalidade à movimentação de recursos públicos. Os investigadores também apuram possíveis tentativas de ocultação ou destruição de provas, o que pode configurar crime de fraude processual.
Esta nova etapa é um desdobramento das fases anteriores da Operação Rent a Car. As investigações iniciais identificaram supostas irregularidades na contratação de uma empresa de locação de veículos, utilizando verbas da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap). Essa cota é destinada ao custeio de despesas inerentes ao mandato dos parlamentares. A fase Galho Fraco II concentra-se na análise detalhada de como esses recursos foram movimentados e qual foi a sua destinação final, impactando diretamente a integridade fiscal do país.
Os investigados poderão responder pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro, fraude processual e organização criminosa, dependendo da participação individual em cada ato ilícito. A Operação Rent a Car teve uma fase deflagrada em junho de 2024, focada em contratos firmados por meio da empresa Harue Locação de Veículos Ltda. Essa empresa é suspeita de emitir notas fiscais e simular prestações de serviço para facilitar o desvio de recursos da Ceap.
Naquela ocasião, a Polícia Federal realizou seis mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, Rio de Janeiro e Tocantins. Os alvos foram assessores de deputados federais. A investigação tramita no STF devido ao foro privilegiado dos parlamentares envolvidos. As apurações indicam que a empresa Harue Locação de Veículos Ltda. recebeu aproximadamente R$ 841,9 mil em pagamentos de verbas parlamentares entre 2015 e 2024. Uma parcela significativa, cerca de R$ 557,4 mil, teria sido paga pelos deputados federais Carlos Jordy e Sóstenes Cavalcante, ambos negam qualquer irregularidade.
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