MILÍCIA DO BANQUEIRO

Polícia Federal desvenda estrutura paramilitar ligada ao Banco Master e à família Vorcaro

Celular com mensagens da Polícia Federal sobre Daniel Vorcaro.
Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro indicam uso de armamento pesado e estrutura paramilitar.

Relatório da PF aponta uso de fuzis e blindados por grupo ligado a Daniel Vorcaro. Mensagens revelam intimidação e pressões financeiras após morte de "Sicário".

Mensagens interceptadas pela Polícia Federal (PF) revelam que o grupo "A Turma", apontado como uma milícia privada ligada ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, utilizava uma sofisticada estrutura armada, incluindo fuzis e veículos blindados, para sua atuação. A descoberta integra um relatório da PF cujo sigilo foi recentemente derrubado, lançando luz sobre métodos de intimidação e proteção de interesses econômicos da família Vorcaro.

A investigação, divulgada nesta terça-feira, 16 de junho de 2026, detalha como "A Turma" realizava monitoramento e ações de intimidação contra desafetos de Daniel Vorcaro e seu pai, Henrique Vorcaro. O operador do jogo do bicho Manoel Mendes Rodrigues, supostamente ligado à família Vorcaro, é identificado como o responsável pela segurança do grupo, que contava com armamento pesado.

O relatório da PF afirma que Manoel Mendes Rodrigues liderava uma organização com forte aparato armado no estado do Rio de Janeiro. "Integrantes que realizam segurança privada portando diversos armamentos de grosso calibre, incluindo fuzis, além de veículos blindados e outros recursos típicos de organizações paramilitares", descreve um trecho da investigação. A estrutura era, segundo a PF, "colocada à disposição dos interesses da família Vorcaro".

Indícios apontam que esse aparato era empregado para resguardar empreendimentos e interesses econômicos do grupo. Em situações descritas, pessoas eram recebidas por indivíduos armados com fuzis e mediante o uso de veículos blindados, o que, em vez de transmitir segurança, causava temor. Relatos mencionam que, em uma reunião, visitantes compararam a situação à "Rússia do Putin", conhecida por seu poderio militar.

Cobranças e Ameaças

Paralelamente à atuação da milícia, a investigação da PF também aponta o envolvimento de Manoel Mendes Rodrigues em facilitar pagamentos e transferências patrimoniais para a família de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o "Sicário", após sua morte. Conversas apreendidas pela PF mostram Joana Mourão, irmã de "Sicário", cobrando Henrique Vorcaro por assistência financeira e ameaçando expor o dono do Banco Master.

Em outras mensagens, Joana Mourão alegou possuir documentação capaz de "acabar com a família inteira", o que, segundo os investigadores, motivou Henrique Vorcaro a autorizar repasses para silenciá-la. "Sicário" e Henrique Vorcaro integravam grupos liderados por Daniel Vorcaro, atuando de forma coordenada para acessar dados protegidos e pressionar indivíduos de interesse do Banco Master, caracterizando a atuação como uma milícia privada.

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