ESQUEMA DE DESVIO
Polícia Federal desmonta esquema que teria irrigado campanhas com dinheiro público
Investigação aponta uso de empresas e repasses clandestinos para financiar candidaturas em 2024. Justiça determinou busca e apreensão e afastamento de servidor.
A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quarta-feira, 10 de junho de 2026, a Operação Fundo Oculto. A ação visa investigar um suposto esquema de desvio de recursos públicos e financiamento ilegal de campanhas eleitorais nas eleições municipais de 2024, no Maranhão. A investigação, que envolve repasses clandestinos de até R$ 10 milhões, tem como objetivo aprofundar a identificação dos beneficiários, rastrear o destino final dos recursos e recuperar valores desviados.
A Operação Fundo Oculto aponta a atuação de duas organizações criminosas que teriam utilizado empresas contratadas por prefeituras para movimentar recursos públicos. Posteriormente, os valores seriam destinados, de forma clandestina, a candidaturas durante o período eleitoral. A decisão de deflagrar a operação foi tomada pela PF com base em indícios de lavagem de dinheiro e desvio de verbas.
Segundo a PF, o esquema funcionava por meio de contratos firmados com administrações municipais. Após os pagamentos serem realizados às empresas, os valores eram rapidamente sacados ou transferidos para contas de terceiros, em uma tentativa de dificultar o rastreamento dos recursos. As apurações identificaram movimentações atípicas que chegaram perto de R$ 10 milhões, com cerca de R$ 2 milhões direcionados a repasses ilícitos em um dos núcleos investigados.
A investigação também identificou a participação de um funcionário de instituição bancária em São Luís, que teria auxiliado a estrutura criminosa na operacionalização das movimentações financeiras. O grupo utilizava mecanismos típicos de lavagem de dinheiro, retirando recursos das contas das empresas e distribuindo-os por meio de contas de pessoas utilizadas como intermediárias.
Documentos e arquivos apreendidos durante a investigação indicam a existência de controles paralelos de caixa dois, além de registros relacionados à distribuição de valores em espécie e estratégias para evitar fiscalização. Até o momento, a PF identificou 15 candidatos que teriam sido beneficiados diretamente pelo esquema ou que aparecem em negociações envolvendo possíveis repasses ilegais. A apuração também aponta a distribuição de recursos para servidores públicos.
Por determinação do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão. A Justiça autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, o afastamento de um servidor público e o sequestro de bens que somam R$ 4 milhões. Os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica eleitoral, desvio de recursos públicos e outros delitos contra a administração pública.
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