ESQUEMA BILIONÁRIO DESARTICULADO

Polícia Federal desarticula esquema bilionário de apostas ilegais e empresas de fachada

Agentes da Polícia Federal em ação durante a Operação "Véu de Maia".
Operação "Véu de Maia" combate esquema de apostas ilegais.

Operação "Véu de Maia" apura lavagem de dinheiro e uso de criptomoedas em plataformas ilegais. Impacto econômico e social é estimado em bilhões.

A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta segunda-feira, 06/07/2026, a Operação "Véu de Maia". A ação visa desarticular um esquema bilionário de lavagem de dinheiro ligado a plataformas de apostas ilegais, que utilizava 87 empresas de fachada. Nove mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos em Goiás, São Paulo e Rio Grande do Sul. A investigação é crucial para conter a expansão de atividades clandestinas que causam prejuízos significativos à economia e à sociedade brasileira.

Investigadores suspeitam que os operadores do esquema movimentavam recursos ilícitos e realizavam remessas irregulares de dinheiro ao exterior por meio de criptomoedas. As ordens judiciais estão sendo executadas em Goiânia (GO), São Paulo (SP), Ribeirão Preto (SP), Porto Alegre (RS) e Canoas (RS), sob coordenação da Superintendência da PF em Goiânia.

As investigações tiveram início com informações da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, que identificou dezenas de empresas atuando como "laranjas" para ocultar e movimentar fundos de apostas irregulares. A PF apura não apenas a lavagem de dinheiro e o uso de criptoativos para evasão de divisas, mas também a formação de organização criminosa.

A operação ocorre em um momento de crescente preocupação do governo federal com a proliferação de plataformas de apostas clandestinas, que geram impactos econômicos e sociais alarmantes. Estima-se que 25,2 milhões de brasileiros utilizem essas plataformas ilegais. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima, alertou que as perdas econômicas anuais chegam a R$ 38,8 bilhões, com cerca de 80% desse valor associado a danos à saúde.

O levantamento do governo federal indica que entre 41% e 50% das plataformas de apostas no país operam de maneira irregular. Já foram bloqueados mais de 40 mil domínios de casas de apostas que não seguem a legislação brasileira. Os alvos da operação podem responder por crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e organização criminosa.

Os dados revelam um perfil predominante de apostadores entre jovens de baixa renda: 69% têm entre 19 e 29 anos, e 63% possuem renda familiar de até dois salários mínimos. Um em cada quatro brasileiros aposta diariamente, e metade o faz semanalmente, evidenciando a amplitude do problema social.

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