DROGAS E LAVAGEM

Polícia Federal desarticula Clã dos Balcãs em operação contra tráfico internacional de cocaína

Agentes da Polícia Federal em ação durante a operação.
Operação "Balcãs" da Polícia Federal cumpre mandados em São Paulo e Bahia.

Ação cumpriu 12 mandados em São Paulo e Bahia. Justiça bloqueou R$ 20 milhões em bens dos investigados.

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira, 11/06/2026, uma operação contra o Clã dos Balcãs, grupo investigado por tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro. A organização criminosa, que enviava cocaína do Brasil para o exterior utilizando barcos pequenos e veleiros, teve suas atividades expostas em uma ação coordenada que visa desmantelar sua estrutura.

Durante a operação, denominada "Balcãs", foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo (SP), Santos (SP) e Guarujá (SP). As ordens foram expedidas pela 17ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária da Bahia. Em uma medida para coibir a continuidade das atividades ilícitas, a Justiça Federal determinou o bloqueio de contas bancárias, aplicações financeiras, veículos, imóveis e demais ativos patrimoniais dos investigados, num montante que pode atingir R$ 20 milhões.

A investigação que levou à ação desta quinta-feira teve seu ponto de partida após uma significativa apreensão de aproximadamente 2,7 toneladas de cocaína. A droga estava a bordo de um veleiro interceptado em águas internacionais, próximo a Cabo Verde, na costa africana.

Ao longo de quase três anos, a Polícia Federal rastreou uma sofisticada estrutura criminosa dedicada ao envio de cocaína da América do Sul para a Europa por rotas marítimas transatlânticas. O Clã dos Balcãs, conhecido por ser um dos maiores grupos de tráfico de cocaína para a Europa, intensificou o comércio ilegal por meio de países da África Ocidental, como Senegal, Serra Leoa, Gâmbia, Guiné-Bissau e Cabo Verde, conforme relatado em 2025 pela Iniciativa Global contra o Crime Organizado Transnacional. O órgão também apontou alianças da organização com grupos holandeses e o PCC (Primeiro Comando da Capital) para expandir suas operações em toda a cadeia do tráfico.

As apurações revelaram uma atuação coordenada entre operadores logísticos, financiadores, intermediários e membros da organização internacional, focada no tráfico de cocaína para o mercado europeu. Embarcações como veleiros e outras utilizadas em travessias oceânicas serviam como plataformas para o transporte de grandes volumes de droga, ocultando uma complexa rede de apoio responsável pelo financiamento, logística e comunicação entre os diversos integrantes.

Além do tráfico internacional, as investigações aprofundaram-se na movimentação financeira dos envolvidos. Relatórios de inteligência identificaram movimentações incompatíveis com a capacidade econômica declarada de alguns investigados, o que sugere o uso de empresas e estruturas patrimoniais para ocultar e dissimular recursos provenientes das atividades criminosas.

Recentemente, em reportagem exibida na semana passada, a CNN Brasil já havia revelado uma mudança nas rotas do tráfico internacional após uma queda nas apreensões em portos brasileiros. Investigadores apontaram que as facções migraram para novas estratégias, utilizando inclusive barcos pesqueiros, após a diminuição drástica nas apreensões de cocaína em portos como o de Santos nos últimos seis anos.

Todo o material apreendido será submetido à perícia técnica especializada. As análises visam aprofundar a identificação dos envolvidos, esclarecer a dinâmica dos fatos e subsidiar a continuidade da persecução criminal, reforçando o compromisso com a justiça e a segurança pública.

*Com informações de Reuters

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário