INVESTIGAÇÃO EXPLOSIVA
Polícia Federal aponta que Henrique Vorcaro pagou R$ 400 mil mensais por informações sigilosas
Empresário é acusado de pagar valor mensal a agente aposentado da PF para ter acesso a dados sigilosos de investigações; esquema envolvia rede de vazamento de informações e outros servidores.
{"blocks":[{"type":"paragraph","data":{"text":"A Polícia Federal (PF) revelou que o empresário Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, realizava pagamentos mensais de cerca de R$ 400 mil a um agente aposentado, Marilson Roseno da Silva. A finalidade do repasse, segundo informações obtidas pela Folha de S.Paulo com base em documentos da investigação, era garantir o acesso a informações sigilosas de inquéritos em andamento. O esquema, desvendado nesta quarta-feira, 17/06/2026, revela um intrincado sistema de vazamento de dados dentro da corporação."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"De acordo com a PF, Marilson Roseno da Silva teria orquestrado uma rede de vazamento de informações, aliciando tanto servidores ativos quanto aposentados. Entre os envolvidos na suposta organização, o relatório da corporação cita o agente Anderson Wander da Silva, a delegada Valéria Vieira Pereira da Silva e os policiais federais aposentados Sebastião Monteiro Júnior e Francisco Pereira da Silva. Um outro agente ativo, cuja identidade ainda não foi divulgada, também faria parte do grupo."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"O grupo teria acesso a sistemas internos da PF, como o e-Pol, o que permitia à família Vorcaro monitorar investigações de caráter sigiloso. Conforme apurado pela investigação, um mandado de prisão expedido contra Daniel Vorcaro foi obtido antecipadamente e compartilhado com um veículo jornalístico, possibilitando que a defesa se preparasse para a ação. Henrique Vorcaro e Marilson Roseno foram procurados pela Folha de S.Paulo, mas não se manifestaram até o momento da publicação. A defesa de Daniel Vorcaro declarou que não comentaria o caso."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), Anderson Wander da Silva, Sebastião Monteiro Júnior e Francisco Pereira da Silva encontram-se presos preventivamente. A delegada Valéria Vieira Pereira da Silva foi afastada de suas funções enquanto as investigações prosseguem."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"A PF detalha que os pagamentos feitos a Roseno eram formalizados como prestação de serviços através da empresa Roseno & Ribeiro Gestão Empresarial Ltda. Parte dos valores teria sido canalizada pela King Participações, empresa ligada a Luiz Phillipi Mourão, funcionário de Daniel Vorcaro, descrito no relatório como um "sicário". Os repasses, segundo os investigadores, eram executados por Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Mensagens apreendidas pela investigação expõem cobranças de Roseno a Henrique Vorcaro diante de atrasos nos pagamentos. Em uma das comunicações, o policial aposentado manifestou urgência: "Estou segurando uma manda de búfalo. Não me deixe à deriva, por favor". Vorcaro respondeu prometendo enviar "imediatamente 400", ao que Roseno solicitou R$ 800 mil, alegando que apenas metade do acordado estava sendo recebido."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Em outra troca de mensagens, datada de 9 de janeiro, Henrique Vorcaro expressou: "No momento que estou é que preciso de vocês". Roseno respondeu: "Nos ajude para podermos lhe ajudar, mestre", e acrescentou: "Recurso já chegou aí, tá faltando boa vontade"."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"A investigação também aponta que o contador de Roseno orientava sobre métodos para ocultar a origem dos recursos. As sugestões incluíam o fracionamento de depósitos e o uso de CPFs de terceiros para evitar a detecção de alertas. A PF mencionou Erlene Nonato Lacerda como possível intermediária financeira, registrando pagamentos de R$ 50 mil feitos por uma empresa associada aos Vorcaro em benefício dela. Erlene também arcaria com despesas pessoais de Roseno, que mantinha um alto padrão de vida em Belo Horizonte, incluindo a posse de um imóvel em área nobre e uma caminhonete Hilux."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Os investigadores ressaltam que Anderson Wander da Silva atuava como principal responsável pelas consultas aos sistemas internos da PF. Ele teria acessado informações sobre investigações que envolviam Daniel Vorcaro e realizado pesquisas a pedido de Roseno. Além da remuneração mensal, mensagens indicam pagamentos extras ao agente. Em uma delas, Roseno pediu um "presente pra filhota que passou no vestibular. Qual o Pix?". A PF identificou uma transferência em 31 de dezembro de 2025, compatível com um bônus de fim de ano para o grupo apelidado de "a Turma"."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"A delegada Valéria Vieira Pereira da Silva também teria acessado documentos de interesse da família Vorcaro. Conforme a investigação, em fevereiro de 2024, ela consultou um inquérito envolvendo Henrique Vorcaro. As informações foram subsequentemente repassadas a Roseno por meio de seu marido, o policial aposentado Francisco Pereira da Silva. Mensagens analisadas pela PF indicam que, após não obter certas informações com Anderson Wander, Roseno informou que buscaria "um colega". Pouco tempo depois, a delegada acessou o inquérito e, no mesmo dia, os dados chegaram a Daniel Vorcaro. Contudo, os investigadores não localizaram pagamentos destinados diretamente ao casal e observaram que diversas mensagens trocadas entre eles foram apagadas."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"O relatório também documenta encontros entre Roseno e Sebastião Monteiro Júnior, que seria o responsável por recrutar novos agentes para o esquema. Em um áudio interceptado, Roseno declara: "Você sobe, mas a gente conversa lá, porque aqui tô com uma turma que pode atrapalhar". Imagens de câmeras de segurança confirmaram o encontro entre os dois, segundo a PF."}}]}
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