CRIMINALIDADE INTERNACIONAL

Polícia de Roraima desmantela rota de armas dos EUA para CV, ligada ao Tren de Aragua

Polícia Civil em operação contra a facção Tren de Aragua.
Operação Rota do Norte cumpre mandados contra investigados por ligação com o Tren de Aragua em seis estados.

Investigação aponta que facção venezuelana Trén de Aragua atuava como ponte para armamento pesado, proveniente dos Estados Unidos, chegar ao Comando Vermelho em outros estados.

Uma operação deflagrada nesta quarta-feira, 17/06/2026, pela Polícia Civil de Roraima desarticulou uma sofisticada rota internacional de tráfico de armas. A investigação revelou que a facção criminosa venezuelana Tren de Aragua funcionava como intermediária na comercialização de armamento pesado, originário dos Estados Unidos, para o Comando Vermelho (CV), uma das maiores facções do Brasil. A descoberta expõe a complexa rede que utiliza Roraima como ponto estratégico de entrada para armamentos de guerra no país, com destino final a estados como Rio de Janeiro e Amazonas. A relevância desta operação reside na identificação de uma simbiose perigosa entre grupos criminosos de diferentes nacionalidades, fortalecendo o poder bélico de organizações já estabelecidas no Brasil e ameaçando a segurança pública em larga escala.

A investigação, batizada de "Rota do Norte", aponta que fuzis, metralhadoras calibre .50 e lança-granadas, de fabricação americana, eram internalizados no Brasil. A apreensão inicial de fuzis no município de Mucajaí, em novembro de 2024, foi o ponto de partida que permitiu à Polícia Civil de Roraima mapear o fluxo dessas armas. Segundo o delegado Wesley Oliveira, as armas apreendidas são comprovadamente americanas, com suspeita de montagem na Colômbia antes de entrarem na Venezuela e, posteriormente, no Brasil. "Há um conjunto probatório robusto de que essas armas eram enviadas para o estado do Amazonas e, em um segundo momento, para o estado do Rio de Janeiro", afirmou o delegado, destacando a origem diversa do armamento, incluindo Colômbia e Venezuela.

A análise da polícia indica que a aliança entre o Tren de Aragua e o CV é movida por uma relação de conveniência mútua: a necessidade de recursos financeiros por parte dos criminosos venezuelanos e o alto poder de aquisição da facção brasileira. O delegado Hugo Cardias, titular da Delegada de Repressão às Organizações Criminosas (Draco), descreveu essa relação como uma "simbiose", onde o Tren de Aragua oferece um produto (armas) que o CV necessita, e o CV, por sua vez, disponibiliza os recursos financeiros que a facção venezuelana busca. Além do tráfico de armas, a investigação também abrange a lavagem de dinheiro, com o Tren de Aragua atuando como uma empresa para diluir os lucros obtidos com o Comando Vermelho, inclusive utilizando criptomoedas.

Fundada em um presídio na Venezuela, a Tren de Aragua expandiu suas atividades para países como Colômbia, Bolívia, Peru e Chile, envolvendo-se em sequestros, extorsão, mineração ilegal, tráfico de drogas e de pessoas. Em 2025, os Estados Unidos classificaram o grupo como uma organização terrorista estrangeira, designação similar à aplicada ao PCC e ao Comando Vermelho, evidenciando a gravidade de suas ações.

A operação "Rota do Norte" resultou na expedição de 25 mandados de prisão preventiva e mais de 30 de busca e apreensão em seis estados. Ao todo, 11 pessoas foram presas, quatro delas em Roraima. Foram apreendidos 11 veículos, incluindo modelos de luxo como Porsche e Land Rover, além de quatro carros em Roraima. A operação também confiscou mais de R$ 76,7 mil e US$ 48 mil em espécie. Os alvos em Roraima atuavam na estrutura financeira intermediária da facção, enquanto líderes-chave dos braços violentos permanecem no radar das autoridades.

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