ERRO FATAL NA SAÚDE

Polícia de Manaus aponta erro médico grosseiro na morte de Benício

Foto de Benício Xavier de Freitas, criança que faleceu por erro médico em hospital de Manaus.
Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, vítima de erro médico em Manaus.

Criança de 6 anos recebeu dose incorreta de adrenalina. Médica responsável se distraía com Pix e venda de cosméticos.

A polícia concluiu, nesta segunda-feira, 04/05/2026, que a morte de Benício, uma criança de 6 anos ocorrida em novembro de 2025, em um hospital particular de Manaus (AM), foi um "erro médico grosseiro". A investigação aponta a administração de uma dose incorreta de adrenalina diretamente na veia, em vez de por inalação, como causa principal do óbito. Este desfecho trágico, agora oficialmente atribuído à negligência, devasta uma família e expõe sérias falhas na segurança do paciente e na responsabilidade profissional, levantando urgentes questionamentos sobre a confiança no sistema de saúde.

Ainda mais alarmante, investigadores analisaram o celular da médica responsável. Conversas revelam que, enquanto acompanhava a condição crítica de Benício, ela trocava mensagens sobre a venda de cosméticos e processava pagamentos via Pix. "É uma prova muito forte de que ela estava totalmente indiferente em relação ao que aconteceria com Benício", declarou o delegado Marcelo Martins, apontando para um chocante nível de distração em uma situação de vida ou morte.

Além da médica que emitiu a prescrição equivocada e da técnica de enfermagem que aplicou a injeção, dois diretores do hospital também foram responsabilizados pela morte do menino. Este detalhe amplifica a extensão da negligência, sugerindo falhas sistêmicas tanto na supervisão quanto nos protocolos da unidade de saúde.

Benício Xavier de Freitas foi levado ao hospital com sintomas de tosse seca e suspeita de laringite. A médica da unidade prescreveu lavagem nasal, soro e três doses de 3 miligramas de adrenalina para aplicação endovenosa, a cada 30 minutos. As recomendações foram seguidas pela equipe de enfermagem, mesmo com a mãe da criança questionando a via de administração, afirmando que seu filho nunca havia recebido adrenalina na veia.

A dose administrada revelou-se fatal para o garoto. Em mensagens trocadas com o diretor de plantão, a própria médica admitiu o erro, escrevendo: "O paciente desmaiou. Pelo amor de Deus. Eu errei a prescrição". A confissão prosseguiu: "Prescrevi inalação com adrenalina e acabaram fazendo ‘ev’ (endovenosa). O paciente está passando mal, ficou todo amarelo. Pede para alguém da UTI descer. Urgente."

Benício foi então levado às pressas para a sala vermelha de emergências. Seus pais relatam que ele permaneceu consciente por um tempo, mas com dificuldade severa para respirar. Tragicamente, Benício não resistiu e faleceu na madrugada de 23 de novembro de 2025, um dia que marcou irreversivelmente a vida de sua família pela perda trágica e completamente evitável.

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