GOLPE DESMASCARADO

Polícia de Goiás desarticula quadrilha com sede no Ceará

Homens algemados, detidos pela Polícia Civil de Goiás em operação contra golpe do falso advogado no Ceará.
Suspeitos presos durante a Operação "Falso Defensor", da Polícia Civil de Goiás. Foto: Divulgação/Polícia Civil.

Cerca de R$ 500 mil em bens foram bloqueados; grupo enganava vítimas em todo o Brasil, gerando grandes perdas financeiras.

A Polícia Civil de Goiás desmantelou nesta quarta-feira, 29 de abril de 2026, uma quadrilha especializada no "golpe do falso advogado" que, embora sediada no Ceará, causava prejuízos significativos a vítimas em todo o Brasil. A operação culminou na prisão de suspeitos e no bloqueio de bens no valor de cerca de R$ 500 mil, evidenciando o impacto devastador desses crimes na vida financeira e na dignidade de indivíduos ludibriados, como um servidor público goiano que perdeu quase meio milhão de reais em apenas oito dias.

As investigações revelaram que o Ceará tem se tornado um epicentro para essa modalidade criminosa, que explora a esperança das vítimas por soluções jurídicas e as manipula a realizar pagamentos indevidos. O delegado Thiago Oliveira, da Delegacia Estadual de Investigações Criminais de Goiás, ressaltou a predominância alarmante do golpe na região Nordeste, gerando enormes prejuízos para cidadãos que, muitas vezes, veem suas economias e confiança se esvaírem.

A ação da Polícia Civil de Goiás cumpriu quase 30 ordens judiciais em três municípios cearenses, atingindo a estrutura financeira do grupo. Os nomes dos investigados, que devem responder por estelionato, associação criminosa e lavagem de dinheiro, não foram divulgados, protegendo a integridade do processo legal.

Investigações Aprofundam Mecanismo do Golpe

A apuração do repórter Fábio Amato, da TV Globo, detalhou que as investigações se iniciaram após o caso de um servidor público goiano. Ele, que aguardava a liberação de uma ação judicial contra o Estado de Goiás, foi enganado por criminosos que se passavam por seu advogado. Os golpistas usaram o nome e a imagem do profissional verdadeiro, prometendo a liberação de R$ 128 mil, mas exigindo pagamentos de falsas taxas e tributos para "quitar certidões e resolver documentações", conforme o delegado Thiago Oliveira. O desespero da vítima foi tanto que ela chegou a pedir dinheiro emprestado a familiares, na vã esperança de reaver um valor que nunca existiu.

Como a Quadrilha Operava

Os suspeitos empregavam aplicativos de mensagens para simular a atuação de advogados, atraindo vítimas com a promessa de valores a receber em processos judiciais. Para conferir maior credibilidade, alguns membros da quadrilha se apresentavam como servidores públicos, utilizando documentos falsificados e linguagem técnica para persuadir as vítimas a efetuar os pagamentos.

O delegado Thiago Oliveira destacou ainda que os criminosos se valiam de cúmplices "infiltrados" no sistema de justiça, ou seja, advogados reais que, infelizmente, abusavam de suas credenciais para acessar informações sensíveis e auxiliar na captação de vítimas. "São pessoas que passam essas informações para que os golpistas possam atuar, inclusive orientando o que significa cada tipo de tributo e tentando criar o que a gente chama de engenharia social para convencer usando denominações dos diversos tributos existentes no país", explicou o delegado.

A complexidade da fraude revelou uma estrutura bem organizada, dividida em núcleos para:

  • Contato com as vítimas;
  • Simulação de autoridades;
  • Movimentação financeira dos valores obtidos de forma ilícita.

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