FACÇÃO DESMASCARADA
Polícia Civil mira TCP por expulsão de moradores e lavagem de R$ 60 milhões no Rio
Investigação revelou que o Terceiro Comando Puro (TCP) utilizava extorsão e apropriação de imóveis para gerar riqueza. Justiça determinou bloqueio de bens e sequestro de patrimônio.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro, em uma operação interestadual deflagrada nesta sexta-feira (12/06/2026), desarticulou uma sofisticada estrutura financeira do Terceiro Comando Puro (TCP). A facção é suspeita de transformar o Complexo do São Carlos, na região central do Rio, em um centro de operações criminosas que incluíam a expulsão de moradores, a tomada de suas casas e a lavagem de cerca de R$ 60 milhões. A decisão de deflagrar a ação partiu da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), que identificou a extensão do esquema, o que justifica a importância da operação para a segurança pública e o combate ao crime organizado no estado.
A Justiça acatou o pedido e determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 60 milhões, além do sequestro de imóveis, veículos de luxo e outros bens que pertencem aos investigados. A investigação da Draco aponta que a organização criminosa atuava de forma multifacetada, indo muito além do tradicional tráfico de drogas.
Comerciantes e moradores do Complexo do São Carlos viviam sob constante ameaça de homens armados ligados ao TCP. Em alguns casos, as vítimas eram coagidas a deixar suas residências, que posteriormente eram apropriadas e incorporadas ao patrimônio da facção por meio de pessoas vinculadas ao grupo. Esse esquema não apenas ampliava a influência territorial do TCP, mas também fortalecia sua capacidade financeira.
As apurações revelaram ainda o uso de uma rede de empresas de fachada, criadas para movimentar recursos ilícitos e ocultar a origem do dinheiro, conferindo uma aparência de legalidade ao patrimônio acumulado pelo grupo. Paralelamente, foi identificada uma estrutura dedicada ao comércio clandestino de armas de fogo, com integrantes da organização atuando na negociação e intermediação de armamentos destinados às comunidades controladas pelo TCP.
A investigação indicou uma clara divisão de tarefas dentro da estrutura criminosa, com operadores financeiros, gestores patrimoniais, responsáveis pela logística e lideranças encarregadas da coordenação geral. Mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos no Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, com o apoio da Core e de unidades especializadas das polícias civis dos três estados, evidenciando a abrangência interestadual da operação e a complexidade do combate ao crime.
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