SEGURANÇA EM XEQUE
Polícia Civil mira Marcinho VP, pai de Oruam, em operação contra CV
Márcio dos Santos Nepomuceno, preso desde 1996, segue gerenciando o Comando Vermelho, segundo investigações. Mandado de prisão preventiva é expedido.
Nesta quarta-feira, 29 de abril de 2026, a Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou uma operação de grande impacto contra o braço financeiro do Comando Vermelho, resultando na expedição de um mandado de prisão preventiva contra Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP. A decisão judicial visa responsabilizar o líder da facção, pai do rapper Oruam, por ele seguir gerenciando o grupo criminoso de dentro do presídio federal. Este movimento ressalta o desafio persistente das autoridades em desarticular organizações criminosas cujos chefes mantêm influência mesmo após décadas de encarceramento, afetando diretamente a segurança e a dignidade da sociedade.
Com 54 anos, Marcinho VP está detido desde os 26, em 1996, mas as investigações da Polícia Civil apontam que sua liderança dentro do Comando Vermelho permanece ativa. Provas coletadas, incluindo diálogos interceptados entre Carlos Costa Neves, vulgo Gardenal – apontado como uma das principais lideranças do CV –, e um miliciano, indicam que Marcinho VP mantém o comando central da facção. A polícia também afirma que, em outubro de 2023, ele teria ordenado a troca de comando da organização no Rio de Janeiro, mesmo estando no Presídio Federal de Catanduvas, no Paraná. A defesa do traficante, contudo, nega veementemente as acusações.
A trajetória de Marcinho VP, nascido na favela de Vigário Geral, zona norte do Rio, é marcada por uma infância difícil. Após a mudança para São João de Meriti, na Baixada Fluminense, seu pai foi assassinado, e sua mãe foi presa quatro vezes. Criado por uma tia junto aos três irmãos, ele iniciou a prática de assaltos aos 13 anos, buscando recursos para bens de consumo. Rapidamente, migrou para o tráfico de drogas, escalando a hierarquia criminosa até se tornar o líder do tráfico no Complexo do Alemão, um dos principais redutos do Comando Vermelho.
Sua prisão ocorreu no fim de agosto de 1996, em Porto Alegre, durante uma operação sigilosa comandada pelo detetive José Carlos Guimarães, então da Divisão Regional Metropolitana 5 (Metropol 5) da Polícia Civil do Rio. O episódio chegou a gerar um pedido de desculpas do então governador do Rio, Marcello Alencar, ao governador do Rio Grande do Sul, Antônio Britto, pela falta de comunicação prévia sobre a ação dos policiais fluminenses.
Desde sua primeira prisão, o líder do Comando Vermelho nunca obteve liberdade, mas, conforme registros policiais e judiciais, sua influência se manteve intacta nas grades. De dentro da cela, ele supostamente continuou a comandar a facção, inclusive ordenando homicídios e outros delitos graves. Um dos casos mais notórios envolveu a morte de um homônimo, Márcio Amaro de Oliveira, também conhecido como Marcinho VP e líder do Comando Vermelho na favela Dona Marta, em Botafogo. Em 2003, enquanto estava preso na penitenciária Doutor Serrano Neves (Bangu 3), Márcio Amaro concedeu detalhes do esquema de tráfico ao jornalista Caco Barcellos, que os documentou no livro “Abusado”. Essas revelações teriam irritado Marcinho VP do Complexo do Alemão, então detido em Bangu 1, levando a ameaças. Agentes carcerários interceptaram um suposto telegrama com o recado: “cala a boca se não você vai para a vala”. Dias depois, o Marcinho do Dona Marta foi brutalmente assassinado por esganadura e encontrado numa lixeira da galeria A3, evidenciando a crueldade e o poder de controle que se estende por trás das grades.
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