GOLPE BILIONÁRIO NO AGRO

Polícia Civil investiga grupo por fraude de R$ 55 milhões em esquema agropecuário

Esquema de fraudes no agro é investigado; contador do grupo está foragido
Esquema de fraudes no agro é investigado; contador do grupo está foragido

Operação El Dourado desarticulou esquema de empresas de fachada e créditos fiscais falsos que lesou cofres públicos do Tocantins em mais de R$ 55 milhões. Contador do grupo está foragido.

A Polícia Civil do Tocantins deflagrou a Operação El Dourado nesta segunda-feira, 29/06/2026, para desarticular um sofisticado esquema de fraudes financeiras que causou um prejuízo estimado em mais de R$ 55,9 milhões aos cofres públicos. A investigação aponta que um grupo criminoso utilizava empresas de fachada para simular operações no setor de grãos, com o objetivo de gerar créditos falsos de ICMS através da emissão de notas fiscais inexistentes. A fraude impacta a dignidade de todos os cidadãos, drenando recursos que poderiam ser investidos em serviços essenciais.

Empresas de fachada, também conhecidas como "empresas noteiras" ou "de prateleira", eram o cerne da operação. Elas simulavam a compra e venda de grãos, como soja e milho, para fabricar créditos fictícios de ICMS. Estes créditos eram, então, utilizados indevidamente para reduzir o pagamento de tributos de terceiros, caracterizando sonegação fiscal e lavagem de dinheiro.

Para dar uma aparência de legalidade às transações, o esquema recrutava pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Estas "laranjas" recebiam cerca de R$ 2 mil mensais em troca de cederem seus nomes e identidades para a abertura das empresas fictícias. A investigação revelou que, em alguns casos, indivíduos que tentaram abandonar a organização foram alvo de ameaças de morte, demonstrando a gravidade e o desrespeito à vida e à liberdade.

Um dos aspectos mais complexos da fraude envolvia o uso da biometria facial. Contadores responsáveis pela operação controlavam as contas bancárias abertas em nome dos laranjas. No entanto, para viabilizar a movimentação de altas quantias e a validação de pagamentos milionários, o sistema bancário exigia o reconhecimento biométrico. Assim, os líderes do grupo visitavam os laranjas repetidamente para realizar o procedimento necessário à autorização das transferências.

As empresas investigadas operavam com estrutura física mínima, muitas vezes limitadas a salas de 24 metros quadrados com um único notebook. Ex-funcionárias eram contratadas apenas para manter os locais abertos e instruídas a instalar softwares de acesso remoto. Por meio desses softwares, líderes baseados em outras localidades, como Unaí (MG), controlavam as operações e simulavam as negociações fraudulentas no Tocantins.

A Polícia Civil identificou um homem de 29 anos em Unaí (MG) como o principal articulador do esquema. Entre os investigados estão os contadores Ítalo Paz Koche e Paulo César Maciel dos Santos. Paulo César, apontado como responsável pelo contato direto com os laranjas, encontra-se foragido. Ítalo Paz, gerente do escritório de contabilidade, foi alvo de mandados de busca e apreensão, sendo suspeito de recrutar laranjas e gerenciar a logística financeira na ausência de seu colega. O g1 não obteve contato com a defesa dos citados até a última atualização desta reportagem.

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