CRIMINALIDADE DIGITAL INFANTIL

Grupos criminosos digitais adotam estrutura de facções para explorar crianças

Ilustração de uma criança usando um smartphone com foco em segurança digital.
Criança utilizando celular — Foto: Canva

Investigação da Polícia Civil de São Paulo revela hierarquia rígida em redes de aliciamento. Crimes envolvem automutilação e abuso virtual.

Grupos criminosos estruturados como facções operam no ambiente digital brasileiro com o objetivo de aliciar crianças e adolescentes para a exploração sexual, automutilação e outros abusos graves. A dinâmica de atuação foi detalhada pelo Núcleo de Operações e Articulações Digitais (Noad) da Polícia Civil de São Paulo, revelando uma divisão de tarefas precisa para submeter vítimas a coações severas.

O Noad, que atua no monitoramento dessas redes há um ano e meio, mapeou cerca de 1,3 mil vítimas. Segundo a delegada-chefe do núcleo, Lisandréa Salvariego Colabuono, a organização criminosa é sistêmica, controlando desde a cooptação inicial em aplicativos até a execução do crime final.

A hierarquia dos grupos é dividida em funções específicas: o LIDER cria servidores, o ADMINISTRADOR seleciona participantes, o MODERADOR controla as etapas da cartilha de abusos e o ORADOR executa o contato direto com a vítima, emitindo ordens que levam a danos físicos, incluindo o suicídio induzido.

A investigação aponta que a cooptação ocorre por meio de redes como Discord, Telegram e Roblox. Os agressores frequentemente são, eles próprios, adolescentes entre 11 e 17 anos em busca de reconhecimento em comunidades digitais. A Polícia Civil destaca que a ausência de monitoramento parental facilita o acesso inicial dos criminosos, que chegam a descobrir rotinas escolares e hábitos familiares das vítimas antes de iniciar a extorsão com fotos ou vídeos íntimos.

Conforme dados divulgados no 20° Anuário Brasileiro de Segurança Pública em 23 de julho, os registros de crimes de abuso sexual infantil no meio digital cresceram 25% em 2025. Cauê Martins, coordenador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, reforça que o cenário é de violência entre pares, onde a radicalização online e a sexualização precoce alimentam a dinâmica de ataques.

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