FACÇÕES CRIMINOSAS REVIDAM

Polícia Civil aponta retaliação de facção como motivo de atentado contra vereador em Mossoró

Delegado Márcio Lemos apresentando detalhes da investigação sobre o atentado em Mossoró.
Delegado Márcio Lemos em coletiva de imprensa sobre o atentado em Mossoró. (Foto: Sesed/Divulgação)

Investigação aponta que ação contra o vereador Cabo Deyvison, em Mossoró, foi resposta à atuação do parlamentar contra grupos criminosos. Assessor dele morreu.

A Polícia Civil do Rio Grande do Norte elucidou o atentado contra o vereador de Mossoró Cabo Deyvison (PL), ocorrido nesta sexta-feira, 19 de junho de 2026. A investigação concluiu que o crime, que resultou na morte do assessor Alyson Dyego de Oliveira Morais, foi uma retaliação orquestrada por facções criminosas em resposta às ações políticas do parlamentar contra esses grupos. A decisão de vincular o ataque à atuação do vereador foi confirmada pelo diretor da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Mossoró, delegado Márcio Lemos.

Segundo Lemos, o conjunto de provas colhidas fundamenta a decretação da prisão preventiva dos envolvidos. "O conjunto probatório que até então foi alicerçado para comprovar e decretar a prisão preventiva dos membros, apontam que a motivação foi a retaliação da organização criminosa que o vereador combate, então vem em função da atuação política dele de combater essa organização criminosa", explicou.

A investigação avançou com a prisão de dois homens suspeitos de participação no atentado, efetuada na terça-feira, 16 de junho, no Ceará. Ambos são naturais do Rio Grande do Norte e mantinham vínculos no estado vizinho. Na ocasião, foram apreendidos o carro utilizado na ação criminosa, um fuzil calibre 5.56 e uma pistola .40, evidenciando a capacidade bélica dos envolvidos.

Adicionalmente, a análise de movimentações financeiras revelou que R$ 10 mil encontrados em um celular de um dos suspeitos destinavam-se ao custeio das despesas dos criminosos na cidade até a execução do plano. As impressões digitais dos dois homens presos foram identificadas no interior do veículo usado no ataque, conforme exames papiloscópicos realizados pelo Instituto Técnico-Científico de Perícia (Itep).

O diretor-geral da Polícia Científica do RN, Marcos Brandão, destacou a precisão da prova. "A gente conseguiu encontrar as impressões deles no interior do veículo e esse exame é muito melhor até que o DNA, porque a impressão digital é única e exclusiva. Então, só o indivíduo, mesmo que seja irmão gêmeo, só ele tem aquela impressão digital", afirmou Brandão, ressaltando a força das evidências.

As prisões em flagrante dos suspeitos foram convertidas em preventivas após audiência de custódia na quinta-feira, 18 de junho. A Polícia Militar do Rio Grande do Norte, em colaboração com a Polícia Militar do Ceará, agiu rapidamente para interceptar o veículo. No momento da prisão, os indivíduos confessaram a participação direta no ataque.

O secretário estadual de Segurança Pública, coronel Francisco Araújo, assegurou que as forças de segurança continuam empenhadas em identificar todos os responsáveis. O caso segue sob investigação da Polícia Civil de Mossoró, que busca desarticular completamente a rede criminosa envolvida.

O ataque ocorreu por volta das 22h de segunda-feira, quando o vereador Cabo Deyvison, 37 anos, aguardava do lado de fora da UPA de Alto de São Manoel. Ele acompanhava uma mulher e uma criança mordida por um cachorro. Durante uma transmissão ao vivo, um veículo passou e seus ocupantes dispararam diversas vezes contra o parlamentar. O assessor Alyson Dyego de Oliveira Morais, que estava no local, não resistiu aos ferimentos. O vereador recebeu atendimento inicial e foi transferido para hospitais da região, onde permanece internado. A equipe de Cabo Deyvison lamentou a morte do assessor e pediu orações pela recuperação do vereador e pela família da vítima.

Cabo Deyvison, eleito pela primeira vez em 2024, é policial militar no Ceará desde 2013 e está licenciado para exercer o cargo de vereador. O delegado Renato Oliveira, responsável pela investigação inicial, classificou o atentado como um ato bárbaro que colocou em risco pacientes, acompanhantes e profissionais de saúde da unidade de saúde, reforçando a necessidade de uma resposta enérgica das autoridades.

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