SETOR DE SERVIÇOS AVANÇA

PMI de Serviços no Brasil cresce com demanda aquecida pela Copa do Mundo

Gráfico mostrando o índice PMI de Serviços do Brasil em junho.
Pesquisa PMI aponta recuperação da atividade de serviços no Brasil em junho.

Atividade subiu em junho, mas emprego registrou queda inédita em cinco meses. Expansão pode ser passageira, alertam analistas.

A atividade do setor de serviços no Brasil demonstrou um avanço em junho, impulsionada pela recuperação da demanda, em parte estimulada por eventos como a Copa do Mundo, além de gastos em hospitalidade e mídia. Essa melhora é evidenciada pelo PMI de serviços, compilado pela S&P Global, que atingiu 51,3 pontos em junho, superior aos 50,4 pontos de maio. O índice mantém-se acima da marca de 50, que sinaliza expansão. No entanto, apesar do crescimento geral da produção, o emprego no setor sofreu sua primeira retração em cinco meses, com empresas relatando demissões e programas de reestruturação. A pesquisa mostrou que a expansão foi modesta e com tendências mistas entre os subsetores, com transportes, comunicação e serviços ao consumidor em alta, enquanto finanças, seguros, imobiliário e serviços empresariais apresentaram contração. Analistas apontam que a recuperação em junho pode ter caráter temporário. Pollyanna De Lima, diretora associada de Economia da S&P Global Market Intelligence, observou que as empresas de serviços brasileiras atribuem a melhora à Copa do Mundo. "Essa natureza temporária já está aparecendo em outras partes da pesquisa, com os prestadores de serviços reduzindo postos de trabalho e revisando para baixo suas expectativas de negócios", alertou De Lima. As empresas também relataram aumento nos preços cobrados por seus serviços, apesar da melhora na demanda. A inflação de insumos também avançou, atingindo o ritmo mais forte desde fevereiro de 2025, com custos maiores em commodities, produtos químicos, fertilizantes, alimentos, combustíveis, transporte e madeira. De Lima acrescentou que as pressões de custos intensificadas pela guerra no Oriente Médio podem levar as empresas a repassar esses gastos nos próximos meses, o que pode testar ainda mais a demanda. A queda no emprego em junho interrompeu uma sequência de quatro meses de criação de vagas. O ritmo de contração foi o mais acentuado em mais de cinco anos. Apenas os serviços voltados ao consumidor registraram crescimento de empregos. O otimismo das empresas de serviços em relação à atividade nos próximos 12 meses também diminuiu, alcançando o menor patamar em 11 meses, com preocupações sobre a eleição presidencial de outubro, instabilidade econômica e tensões geopolitais. Considerando a indústria e os serviços, o PMI Composto do Brasil apresentou um avanço para 50,7 em junho, ante 49,5 em maio, indicando uma melhora geral na atividade econômica.

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